Projeto Trilogia Vida leva dança, livro e oficinas a praças e teatro de Salvador entre março e abril de 2026

A cidade de Salvador recebe, entre 25 de março e 12 de abril de 2026, a ocupação artística do projeto Trilogia Vida”, da Jorge Silva Cia de Dança, com apresentações gratuitas em praças públicas, sessões em teatro, atividades formativas e lançamento de livro. A iniciativa reúne as remontagens dos espetáculos Acúmulo de Desejos” (2002), “Em breve, espaço curto de tempo” (2004) e “Palafitas” (2005), além de ações voltadas à formação e acessibilidade.

As apresentações serão realizadas em diferentes territórios da capital baiana, incluindo Arena da Pronaica (Cajazeiras X), Praça da Revolução (Periperi), Praça da Cruz Caída e Espaço Xisto Bahia, com o objetivo de ampliar o acesso à dança e reforçar a produção artística nas periferias. O elenco reúne bailarinos das montagens originais e novos intérpretes, majoritariamente oriundos de regiões periféricas.

O projeto também contempla o lançamento da segunda edição do livro Eu matei minha mãe, tantas vezes que não conseguiria contar todas as versões”, de autoria de Jorge Silva. A obra será apresentada no dia 8, no Espaço Xisto Bahia, com distribuição gratuita para escolas e centros culturais parceiros e venda ao público.

Ocupação artística e política de acessibilidade

A estrutura do projeto inclui uma política de acessibilidade ativa, com tradução em Libras em todas as sessões, além de audiodescrição em apresentações específicas e produção de conteúdos digitais acessíveis. A iniciativa também disponibiliza maquetes cenográficas para experiência tátil, voltadas a pessoas com deficiência visual.

A proposta não se limita a adaptações pontuais, sendo apresentada como um compromisso estrutural com inclusão cultural, envolvendo desde a formação da equipe até a execução das atividades. O projeto busca integrar diferentes públicos por meio de recursos acessíveis e estratégias de mediação.

Além das apresentações, a programação inclui a oficina Corpo Difusor, ministrada pelo coreógrafo, com encontros em Cajazeiras, Barris e Periperi. A atividade é voltada a artistas, estudantes e interessados em processos criativos corporais, com foco em improvisação, criação autoral e construção coletiva.

Espetáculos abordam memória, trabalho e sobrevivência

O espetáculo Acúmulo de Desejos” abre a programação no dia 25 de março, às 20h, no Espaço Xisto Bahia. A obra parte de memórias familiares do coreógrafo, abordando a trajetória de sua mãe como trabalhadora doméstica e as condições de vida enfrentadas. Elementos cênicos como pratos de louça branca simbolizam tensões acumuladas ao longo da narrativa.

A montagem retorna ao mesmo espaço no dia 8 de abril, também às 20h, com recursos de acessibilidade ampliados. A obra articula memória individual e história coletiva, explorando relações entre trabalho, silêncio e expectativas sociais.

Em breve, espaço curto de tempo” investiga experiências familiares entre as décadas de 1970 e 1980, com uso de barro, terra e água como elementos dramatúrgicos centrais. O espetáculo será apresentado no dia 26 de março, no Espaço Xisto Bahia, e segue para Cajazeiras e Centro Histórico em diferentes datas.

Territórios urbanos e experiências sensoriais

Encerrando a trilogia, Palafitas” aborda a realidade de áreas periféricas com infraestrutura precária, inspirando-se em territórios da Cidade Baixa de Salvador. A obra relaciona instabilidade estrutural, sobrevivência e experiências pessoais do coreógrafo, incluindo o acompanhamento da doença de sua mãe.

As apresentações acontecem na quinta-feira (27/03/2026), no Espaço Xisto Bahia, e posteriormente na Praça da Revolução, em Periperi, nos dias sexta-feira (11/04/2026) e sábado (12/04/2026). A encenação utiliza estruturas físicas instáveis, como pneus e plataformas, criando uma experiência sensorial para o público.

A trilogia estabelece conexões entre memória, território e corpo, utilizando a dança como linguagem para abordar questões sociais e experiências individuais. O projeto integra diferentes linguagens artísticas, incluindo literatura e formação, ampliando seu alcance cultural.

Trajetória de Jorge Silva e produção cultural

Com atuação de quase quatro décadas, Jorge Silva é coreógrafo, diretor e artista com trajetória vinculada à dança produzida em Salvador. Sua produção inclui obras como Via Intramuscular”, “Nublado” e “7 – Oferenda”, além de projetos audiovisuais.

O artista recebeu, em 2023, o Prêmio Mestras e Mestres das Artes, concedido pela Fundação Nacional das Artes (Funarte), em reconhecimento à sua contribuição para a dança no Brasil. Sua atuação também inclui formação de artistas e articulação cultural em diferentes territórios.

O projeto “Trilogia Vida” conta com produção da Água de Levante e foi contemplado pelo edital Chamadão das Artes Cênicas, com recursos da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e Prefeitura de Salvador.


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