Salvador recebe, nos dias 27 e 28 de março de 2026, no Teatro Sesc Casa do Comércio, a nova montagem do espetáculo “Koanza: do Senegal ao Curuzu”, que retorna aos palcos em 2026 com uma versão atualizada. A obra combina humor, crítica social e elementos de ancestralidade para discutir raça, religiosidade, identidade e tensões políticas no Brasil contemporâneo.
A peça apresenta a trajetória da personagem Koanza, que retorna à Bahia após viver na África e passa a enfrentar o avanço de discursos religiosos contrários às religiões de matriz afro-brasileira. Ao chegar ao país, ela encontra um cenário marcado por conflitos políticos e raciais, o que intensifica os desafios de sua jornada.
O espetáculo é apresentado em formato de monólogo, criado e interpretado por Sulivã, artista que atua como ator, comunicador, educador e humorista. A narrativa utiliza recursos de ironia e humor para abordar temas sociais e identitários presentes na realidade brasileira.
Narrativa aborda religiosidade, política e identidade
Na trama, Koanza retorna à Bahia com a missão de enfrentar ataques aos cultos afro-brasileiros, encontrando um país atravessado por disputas ideológicas e religiosas. O enredo se desenvolve a partir do confronto entre a personagem e os desafios que ameaçam o Curuzu, território simbólico da resistência negra em Salvador.
Ao lidar com essas tensões, a protagonista enfrenta uma encruzilhada política, cultural e espiritual, elemento central da narrativa. A história transforma esse conflito em uma construção dramática que combina comicidade e crítica social, conduzindo o público por reflexões sobre identidade e pertencimento.
O espetáculo utiliza a linguagem do teatro para discutir questões contemporâneas relacionadas a intolerância religiosa, representatividade e memória cultural, mantendo o formato de apresentação individual no palco.
Criação artística e perspectiva do intérprete
Segundo Sulivã, a construção da personagem foi inspirada na trajetória de mulheres negras e lideranças religiosas afro-brasileiras, referências que influenciam a estrutura narrativa e a abordagem estética da obra.
“O fato de um ator negro e homossexual se inspirar em mulheres negras e ialorixás para criar esse personagem amplia o espaço para discutir questões raciais, identitárias, de gênero e sexualidade”, afirma o artista.
A dramaturgia utiliza o humor como ferramenta de reflexão, permitindo que o público acompanhe as histórias e experiências de Koanza por meio de situações que misturam crítica social e elementos cômicos.
Experiência cênica integra memória e expressão cultural
Além da narrativa, a montagem incorpora elementos musicais e performáticos. O canto aparece como recurso de memória e afirmação identitária, reforçando a conexão entre tradição cultural e expressão artística contemporânea.
A proposta estética busca evidenciar o papel da tradição oral e da musicalidade afro-brasileira na construção cultural do país. Esses elementos são utilizados para ampliar a dimensão simbólica da narrativa apresentada no palco.
Com a nova temporada em Salvador, a montagem retoma o diálogo com o público sobre religiosidade, identidade negra e diversidade cultural, temas presentes na construção da personagem e no desenvolvimento do espetáculo.


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