A Organização Mundial da Saúde anunciou, nesta sexta-feira (27/02/2026), novas recomendações para a composição das vacinas contra a influenza destinadas à temporada 2026-2027 no Hemisfério Norte, após consulta técnica internacional com análise de dados epidemiológicos e laboratoriais. A medida busca atualizar a proteção contra cepas em circulação e reduzir riscos de surtos e pandemias.
Segundo a agência, a influenza sazonal registra cerca de 1 bilhão de casos anuais no mundo, com 3 a 5 milhões de quadros graves e 290 mil a 650 mil mortes por complicações respiratórias. A atualização periódica do imunizante é considerada necessária devido às mutações frequentes do vírus.
As recomendações técnicas orientam agências reguladoras e indústrias farmacêuticas na produção e no licenciamento das vacinas, garantindo que as doses estejam alinhadas às cepas com maior probabilidade de circulação. O processo é conduzido duas vezes ao ano, contemplando os hemisférios Norte e Sul.
Vigilância global e atualização de cepas
A decisão resulta de reuniões com especialistas do Sistema Global de Vigilância e Resposta à Influenza, que reúne centros colaboradores e laboratórios regulatórios vinculados à organização. O grupo avalia amostras coletadas em diversos países, identificando mudanças genéticas relevantes nos vírus.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a circulação constante de novas variantes demonstra a interconexão sanitária entre os países e reforça a necessidade de cooperação internacional para prevenção.
De acordo com o comunicado, a atualização das fórmulas amplia a eficácia das campanhas de imunização, contribuindo para redução de hospitalizações e óbitos, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com comorbidades.
Variante AH3N2 e disseminação antecipada
Entre os fatores analisados está o surgimento, em agosto de 2025, de uma variante do vírus AH3N2 classificada como J.2.4.1, também identificada como subclado K. A cepa apresentou disseminação rápida em diferentes regiões, antecipando o início da temporada de gripe em alguns países.
Dados de vigilância indicaram predominância de vírus influenza A, com circulação adicional de variantes AH1N1. Já a influenza B foi detectada em níveis reduzidos, sem registros recentes da linhagem B/Yamagata desde 2020.
Esse cenário levou especialistas a recomendar ajustes na composição do imunizante para ampliar a cobertura contra cepas com maior potencial de transmissão.
Riscos zoonóticos e prevenção de pandemias
O comitê também avaliou vírus de origem animal com capacidade de infectar humanos, considerados potenciais ameaças pandêmicas. Desde setembro de 2025, foram notificadas 25 infecções humanas por influenza zoonótica em seis países, associadas principalmente ao contato com aves ou ambientes contaminados, sem transmissão entre pessoas.
Como medida preventiva, os especialistas recomendaram que o vírus AH9N2 seja incluído como candidato vacinal, permitindo produção rápida de imunizantes em caso de emergência sanitária. A cepa está associada à gripe aviária endêmica em partes da Ásia, África e Oriente Médio.
A estratégia integra ações de preparação global para pandemias, possibilitando resposta antecipada caso surjam variantes com maior capacidade de transmissão ou gravidade clínica.
*Com informações da ONU News.


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