Filhas de Gandhy abrem Carnaval 2026 com mil mulheres e homenagem ao orixá dos tambores

O afoxé Filhas de Gandhy abriu no sábado (14/02/2026) sua participação no Carnaval 2026 com um cortejo que reuniu cerca de mil mulheres nas ruas do Pelourinho, marcando o início da programação do grupo com foco em ancestralidade, protagonismo feminino, sustentabilidade e inovação tecnológica. O desfile, conduzido inteiramente por mulheres no canto, na dança e na percussão, integra o calendário oficial da festa e se consolida como uma das apresentações de maior simbolismo cultural.

Guiado pelo tema “Òrìṣá AYÀN nos Abençoou”, o afoxé homenageia o orixá associado aos tambores e à continuidade da música, colocando o ritmo como eixo central da narrativa artística. O cortejo transforma o som em linguagem cultural viva, conectando espiritualidade, tradição e expressão coletiva na ocupação da avenida por mulheres.

Cortejo feminino e narrativa ancestral

A apresentação reuniu 60 mulheres na percussão, 150 dançarinas na Ala de Dança e 50 baianas, ala tradicional que reafirma a memória e a força simbólica do grupo ao longo de sua trajetória. Ao todo, cerca de 1.000 foliãs integraram o desfile, reforçando o caráter coletivo e feminino do afoxé.

A produtora do grupo, Silvana Magda, destacou o significado do tema e o papel das mulheres na condução dos tambores. Segundo ela, o afoxé chega à edição de 2026 com uma proposta que enfatiza a continuidade da música e o intercâmbio cultural entre continentes, reforçando a conexão entre o sagrado e a expressão artística.

A cantora Tati Brito, responsável pela condução vocal do cortejo ao lado de Janete Dantas, afirmou que o desfile no Pelourinho foi marcado pela interação com o público e pela atmosfera festiva do afoxé. A próxima apresentação do grupo está prevista para segunda-feira (16), no circuito Barra-Ondina, com a condução vocal de Nany Lessa e participação especial de Tati Brito.

Reconhecimento institucional e dimensão cultural

A secretária de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia, Fabya Reis, ressaltou o papel cultural do afoxé, destacando o protagonismo feminino e a defesa das tradições dos blocos afro. A presença institucional reforça o reconhecimento das manifestações culturais de matriz africana no calendário oficial do Carnaval.

O desfile integra a programação apoiada pelo Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo do Estado da Bahia, por meio da SecultBA e da Sepromi, voltada ao financiamento de blocos afro, afoxés e manifestações culturais populares.

Tradição, sustentabilidade e tecnologia

O Carnaval 2026 marca uma nova etapa na trajetória das Filhas de Gandhy ao combinar tradição e inovação. A fantasia do cortejo reverencia o tambor como elo simbólico entre África, Américas, Ásia e Europa, traduzindo a circulação histórica dos ritmos e instrumentos que moldaram a cultura afro-atlântica.

No campo ambiental, turbantes, tiaras, bolsas e faixas foram produzidos a partir do reaproveitamento de resíduos têxteis do corte das fantasias, incentivando práticas de consumo consciente e redução de desperdícios.

A inovação tecnológica aparece por meio da NVC, desenvolvida em parceria com o SENAI Cimatec, que permite ao público acessar conteúdos audiovisuais sobre a história e a ancestralidade do afoxé ao apontar o celular para o figurino. A solução amplia a experiência do público e integra elementos digitais ao cortejo tradicional.

Criada exclusivamente para mulheres, a fantasia reafirma o protagonismo feminino na condução do ritmo, da memória e da festa, consolidando o desfile como um encontro entre passado e futuro, em que o tambor ancestral se articula com novas tecnologias e práticas sustentáveis.


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