O Centro Histórico de Salvador recebe a partir desta semana a exposição itinerante “Um Espelho para Iemanjá”, projeto do ME Ateliê da Fotografia que já marcou presença na Casa de Yemanjá, no Rio Vermelho. A mostra ocupa três novos espaços: Ladeira do Boqueirão, Antique Bistrô e Restaurante La Lupa, oferecendo visitação gratuita para baianos e turistas durante todo o mês de fevereiro de 2026, de terça a domingo, das 12h às 22h.
A exposição apresenta 18 obras inéditas, resultado da 5ª edição do projeto “Um Tributo a Iemanjá”, idealizado pelo fotógrafo e curador Mário Edson. O projeto busca integrar arte, tradição e fé, refletindo a força e simbologia da Rainha do Mar. Após a abertura em 2 de fevereiro no Rio Vermelho, a mostra segue em formato itinerante, ampliando seu alcance para novos públicos no Santo Antônio Além do Carmo.
Segundo Edson, a proposta da edição é explorar o espelho como elemento simbólico, servindo como portal e oferenda à Iemanjá. Cada obra permite que o público se veja refletido, estabelecendo um diálogo entre o visível e o invisível, o humano e o divino, reforçando a relação entre fé, ancestralidade e arte contemporânea.
Novas sedes e experiência artística
A Ladeira do Boqueirão recebe uma exposição aérea que transforma o espaço com composições artísticas inspiradas na Orixá, combinando elementos de fotografia, pintura, desenho, instalações e objetos adornados. O Antique Bistrô e o Restaurante La Lupa completam o circuito, permitindo ao público vivenciar a mostra em diferentes perspectivas.
Entre os artistas que participam da 5ª edição estão: Alysson Costa, Ana Kruschewsky, Claudio das Virgens, Ila Frida, Izabel Andion, Jacy Gordinho, Juray Castro, Lu Peixoto, Mário Edson, Pablo Araújo, Patricia Dieder Dalmas, Reinaldo Giarola, Rejane Alice, Rita Pinheiro, Rodrigo Nery, Silvana Lima, Suyanne Andrade e Wagner Lacerda. Cada obra traz uma interpretação própria, unindo tradição afro-brasileira, simbologia e estética contemporânea.
A mostra fortalece o projeto anual iniciado pelo ME Ateliê da Fotografia, que desde a primeira edição realiza exposições ligadas à cultura afro-brasileira e à celebração de Iemanjá, promovendo o diálogo entre arte, espiritualidade e memória coletiva. O ano anterior apresentou a iniciativa “Um Balaio para Iemanjá” (2025), consolidando o caráter itinerante e inclusivo do projeto.
A proposta curatorial e o diálogo com o público
Para o curador, cada obra representa uma reverência à Rainha do Mar, promovendo reflexão sobre feminilidade, cuidado, fertilidade e transformação. O projeto estimula o público a interagir com as peças, estabelecendo um vínculo sensorial e simbólico com a tradição.
Mário Edson ressalta que a exposição é um convite à reconciliação com a ancestralidade, ao reconhecimento da própria imagem refletida e ao respeito às matrizes culturais afro-brasileiras. Segundo ele, a experiência proporciona introspecção e engajamento com a arte, a fé e o patrimônio cultural da Bahia.
O projeto reforça a importância das artes visuais como espaço de memória, espiritualidade e resistência, integrando práticas culturais tradicionais com linguagens contemporâneas e promovendo visitação gratuita ao público de todas as idades.


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