Para 2026, a comunicação pública e corporativa enfrenta novos desafios, segundo a Diretora de Publicidade da Prefeitura de Salvador, Lília Lopes. Entre as tendências apontadas estão vídeos curtos e virais, fact-checking, reputação corporativa e o chamado “Paradoxo da IA”, fenômeno que evidencia resistência do público ao conteúdo produzido por inteligência artificial, apesar da ampla difusão das ferramentas no mercado.
O relatório da Dentsu “Human Truths in the Algorithmic Era” indica que a personalização de experiências e a simplificação de processos serão determinantes para engajar o público em um contexto de instabilidade política e econômica global. No entanto, o consumo de informação enfrenta barreiras, com fenômenos como doomscrolling e a chamada “ressaca da informação”, que dificultam que conteúdos relevantes cheguem ao usuário final sem ruídos.
Segundo Lília Lopes, governos, empresas e organizações precisarão se adaptar à velocidade das informações e ao comportamento de consumidores da Geração Z e Alpha, cada vez mais seletivos e críticos. Estratégias de comunicação devem priorizar conteúdos confiáveis, relevantes e direcionados a públicos específicos para manter engajamento e reputação.
Consumo de vídeos curtos e novas ferramentas digitais
O consumo de vídeos curtos, como reels e shorts, deixará de ser opcional para se tornar central nas estratégias de comunicação em 2026. Lília projeta que cada nicho de atuação exigirá formatos específicos e linguagem personalizada, alinhados às preferências das novas gerações.
O fact-checking passa a ocupar papel estratégico no ambiente digital. Informações checadas e fontes confiáveis são essenciais para consolidar a reputação corporativa e institucional, principalmente em contextos de disseminação rápida de conteúdos e microcomunidades digitais que conferem veracidade antes de compartilhar ou interagir.
O chamado “Paradoxo da IA” representa um desafio adicional. Apesar do avanço de ferramentas como ChatGPT, Grok e VEO 3, conteúdos marcados como produzidos por IA tendem a receber menor aceitação do público. A tecnologia permanece como suporte de produção, mas não substitui o julgamento humano na entrega final de comunicação.
Papel estratégico da Geração X e lideranças
Segundo Lília Lopes, profissionais da Geração X desempenharão papel fundamental em 2026, equilibrando tecnologia, dados e empatia. Eles são responsáveis por orientar equipes mais jovens, traduzindo informações complexas em ações concretas de comunicação, garantindo que mensagens sejam não apenas recebidas, mas compreendidas.
No contexto público, reforçar a presença digital de governos e simplificar informações serão fatores determinantes para o sucesso das campanhas de comunicação. A estratégia inclui engajamento digital, credibilidade e alinhamento à narrativa humana, buscando maior efetividade na transmissão de mensagens.
O ano de 2026 promete consolidar uma comunicação marcada pela interseção entre inovação tecnológica, personalização e gestão de reputação, exigindo adaptação constante de profissionais e organizações aos novos hábitos de consumo de conteúdo.


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