A Prefeitura de Salvador intensificou a política de arborização urbana e registrou, ao longo da última década, o plantio de mais de 130 mil árvores, a entrega de 1,5 mil praças arborizadas e a preservação de 26 mil km² de Mata Atlântica, redesenhando a paisagem de ruas e avenidas da capital. As ações são conduzidas pela Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e integram o planejamento ambiental do município.
A gestão municipal destacou que os resultados já podem ser observados em diferentes bairros, onde mudas plantadas há anos atingiram porte adulto, ampliando áreas de sombra, contribuindo para o conforto térmico e favorecendo o uso dos espaços públicos.
De acordo com levantamento do MapBiomas (2024), Salvador ocupa a segunda posição entre as capitais brasileiras em percentual de área verde, com 26,2% do território coberto por vegetação, o equivalente a mais de 5,5 mil hectares.
Plantios estruturados e crescimento gradual das espécies
A expansão do verde ocorre de forma planejada, com plantios concentrados na Operação Chuva, realizada entre março e junho, período de maior precipitação na cidade. O calendário favorece o enraizamento das mudas e reduz perdas.
Segundo a Secis, o ciclo de desenvolvimento das árvores varia entre cinco e dez anos, o que exige manutenção contínua e acompanhamento técnico. As espécies utilizadas seguem critérios da legislação municipal, com altura inicial máxima de 2,5 metros.
Um dos exemplos apontados pela gestão é a Avenida Reitor Miguel Calmon, no Vale do Canela, onde 200 mudas de pau-ferro plantadas em 2017 ultrapassam atualmente 10 metros, formando copas que ampliam o sombreamento. Intervenções semelhantes ocorreram na região do Curralinho, na Boca do Rio.
Impactos no uso dos espaços públicos e no microclima
A presença de áreas verdes tem alterado a dinâmica de convivência em praças e canteiros centrais. Moradores relatam aumento da circulação de pedestres, prática de atividades físicas e uso de espaços de lazer.
Comerciante na região do Vale do Canela, Leonardo Cerqueira afirma que a praça local concentra movimento ao longo do dia, com frequentadores realizando caminhadas, esportes e passeios com animais de estimação. A ampliação do sombreamento contribui para maior permanência do público.
A pasta municipal destaca que a arborização também atua na redução da temperatura superficial, na melhoria da qualidade do ar, no controle de enchentes e no equilíbrio do microclima urbano, fatores associados à resiliência climática.
Políticas permanentes e novos projetos de expansão
As diretrizes de arborização foram estruturadas a partir de 2016, integrando o plantio de espécies nativas às obras de infraestrutura urbana. Entre as intervenções recentes está o plantio de 180 quaresmeiras na Avenida Dendezeiros, criando corredor sombreado entre pontos de circulação de pedestres.
Em 2025, a cidade passou a executar o projeto Corredor Verde, voltado à inserção de árvores adultas em grandes avenidas. A primeira etapa, na Avenida Manoel Dias, implantou cerca de 100 exemplares, com previsão de expansão para vias como Silveira Martins, Dom João VI, Jequitaia e Juracy Magalhães até 2028.
A prefeitura informa que a estratégia busca reduzir a aridez de áreas asfaltadas, ampliar a cobertura vegetal e preparar a cidade para eventos climáticos extremos, mantendo ações contínuas de plantio e manutenção.


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