O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou a submissão de 40 especialistas à Assembleia Geral para compor o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial, primeiro órgão global voltado a analisar impactos concretos da IA nas economias e nas sociedades. Entre os nomes indicados estão duas pesquisadoras lusófonas, uma do Brasil e outra de Cabo Verde.
A iniciativa pretende consolidar um espaço técnico de avaliação baseado em evidências científicas, com atuação autônoma e foco em governança, riscos e oportunidades da tecnologia. O grupo deverá produzir relatórios periódicos para orientar decisões multilaterais.
De acordo com Guterres, a criação do painel responde ao avanço acelerado da IA e à necessidade de informações confiáveis para apoiar políticas públicas e cooperação internacional.
Pesquisadoras do Brasil e de Cabo Verde estão entre os indicados
Do Brasil, foi indicada Teresa Ludermir, professora titular de Inteligência Artificial do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A docente possui atuação acadêmica na área de aprendizado de máquina e pesquisa aplicada em sistemas inteligentes.
De Cabo Verde, a pré-selecionada é Awa Bousso Dramé, pesquisadora em Ciências Costeiras, Sistemas de Informação Geográfica e Inteligência Artificial, com estudos voltados à integração de dados ambientais e tecnologias digitais.
As duas integram uma lista formada por especialistas de diferentes regiões do mundo, selecionados após convocação aberta que recebeu mais de 2,6 mil candidaturas.
Órgão atuará de forma independente e técnica
Segundo a ONU, os membros do painel atuarão em caráter pessoal, sem vínculo representativo com governos, empresas ou instituições. A proposta é garantir independência analítica e neutralidade científica.
O grupo terá a missão de preencher lacunas de conhecimento, sistematizar evidências e diferenciar dados verificados de informações incorretas sobre a aplicação da IA. Guterres afirmou que a tecnologia está “avançando na velocidade da luz” e que nenhum país consegue avaliar sozinho todos os efeitos.
O secretário-geral destacou ainda que o painel deverá funcionar como fonte confiável de referência, apoiando decisões regulatórias, econômicas e sociais relacionadas ao uso de sistemas inteligentes.
Relatórios e cooperação internacional
O cronograma prevê ritmo acelerado de trabalho, com a entrega do primeiro relatório antes do Diálogo Global sobre Governança de IA, programado para julho, em Genebra. O documento deverá apresentar diagnósticos técnicos e recomendações para políticas públicas.
O órgão contará com apoio do Escritório da ONU para Tecnologias Digitais e Emergentes, da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). As três entidades participarão do secretariado.
A coordenação ficará sob responsabilidade do enviado especial do secretário-geral para Tecnologia, Amandeep Singh Gill, com foco em promover cooperação científica em contexto de tensões geopolíticas e disputas tecnológicas.
*Com informações da ONU News.


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