Hanseníase na Bahia: Diagnóstico precoce garante cura e evita sequelas em doença de alta endemicidade

A hanseníase, doença infectocontagiosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, permanece como um desafio de saúde pública na Bahia, estado classificado como de alta endemicidade. Apesar do estigma histórico, a enfermidade tem cura, conta com tratamento eficaz e gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, quando identificada precocemente, não provoca sequelas.

Conhecida popularmente como lepra, a doença afeta principalmente pele e nervos periféricos, podendo atingir também olhos, nariz, mãos, braços, pernas e pés. O diagnóstico tardio pode resultar em perda de sensibilidade, fraqueza muscular, deformidades e incapacidades físicas, com impacto direto na qualidade de vida do paciente.

Especialistas destacam que informação qualificada e acesso ao diagnóstico são fatores decisivos para interromper a cadeia de transmissão e reduzir danos permanentes.

Sintomas e formas de manifestação da hanseníase

De acordo com o infectologista Claudilson Bastos, consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, os sintomas da hanseníase surgem de forma lenta e gradual. Entre os sinais mais comuns estão manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, geralmente associadas à alteração ou perda de sensibilidade ao toque, ao calor ou ao frio.

Também podem ocorrer formigamentos, fisgadas, redução da força muscular, diminuição do suor em determinadas áreas do corpo e presença de nódulos. A diversidade de manifestações exige atenção dos serviços de saúde e da população para evitar atrasos no diagnóstico.

A avaliação clínica detalhada é fundamental para identificar precocemente a doença e iniciar o tratamento adequado.

Cenário epidemiológico no Brasil e na Bahia

Dados do relatório epidemiológico 2025 da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil registrou 22.129 novos casos de hanseníase em 2024, uma redução de 2,8% em relação a 2023. Apesar da queda, o país segue como o segundo com maior número de notificações no mundo, atrás apenas da Índia.

Na Bahia, as notificações apresentaram crescimento nos últimos dois anos. Em 2025, foram contabilizados 1.746 casos, contra 1.652 em 2024, representando um aumento de 5,38%, segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A doença está presente em todas as regiões do estado e é associada a condições socioeconômicas vulneráveis, como acesso limitado à moradia, alimentação e educação.

Os municípios com maior número de registros incluem Salvador, Juazeiro, Alagoinhas, Feira de Santana, Barreiras, Porto Seguro e Barra. A maior incidência ocorre entre homens, que concentram 52% das notificações, com aumento da detecção também em menores de 15 anos.

Transmissão, diagnóstico e tratamento

A transmissão da hanseníase ocorre por via respiratória, por meio de gotículas de saliva e secreções eliminadas ao falar, tossir ou espirrar, apenas por pessoas que ainda não iniciaram o tratamento. O contato precisa ser próximo e prolongado. Não há transmissão por abraços, apertos de mão ou compartilhamento de objetos pessoais.

A incubação da bactéria é prolongada e pode levar de 7 a 8 anos para se manifestar, o que dificulta o controle da doença. O diagnóstico é realizado por profissionais de saúde, com base na avaliação clínica das lesões de pele e da sensibilidade.

O tratamento é feito com antibióticos, com duração de seis a 12 meses, conforme a classificação da doença em paucibacilar (até cinco lesões) ou multibacilar (mais de cinco lesões). Após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase, não sendo necessário isolamento social.

Combate aos mitos e papel da informação

Entre os principais mitos associados à hanseníase estão a ideia de que a doença é hereditária ou que exige isolamento social. Especialistas reforçam que a hanseníase tem cura, não é hereditária e não exige afastamento do convívio familiar ou social após o início do tratamento.

A informação correta é apontada como ferramenta central para o diagnóstico precoce, a redução do preconceito e o fortalecimento das ações de vigilância em saúde. A orientação é procurar unidades de saúde ao identificar qualquer sintoma suspeito e garantir a avaliação de contatos próximos de pessoas diagnosticadas.


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