O Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOEB), unidade 100% SUS, passou a adotar um cuidado diferenciado para pacientes com dor, com foco na avaliação e no manejo precoce desde o primeiro contato com a unidade. A iniciativa, implementada com apoio do Einstein, responsável pela gestão do hospital, amplia a qualificação do atendimento ortopédico e reforça práticas já aplicadas em outros serviços públicos administrados pela instituição.
O novo modelo assistencial tem como eixo a priorização do controle da dor como parte central do cuidado, integrando avaliação clínica estruturada, definição de estratégias individualizadas e acompanhamento contínuo. O objetivo é reduzir o sofrimento, otimizar a resposta terapêutica e qualificar a experiência do paciente no Sistema Único de Saúde.
A proposta se aplica a pacientes que chegam ao hospital com dor aguda ou crônica, especialmente aqueles que não apresentam resposta adequada aos tratamentos convencionais, ampliando o escopo do cuidado ortopédico desde a porta de entrada.
Avaliação precoce e manejo individualizado da dor
O cuidado começa no acolhimento inicial, quando pacientes com dor intensa passam por avaliação padronizada, com uso de escalas específicas para identificar intensidade, características e impacto funcional da dor. A partir dessa análise, a equipe define estratégias terapêuticas personalizadas, mesmo antes do início do tratamento ortopédico definitivo.
Entre as abordagens adotadas estão medidas clínicas e procedimentos intervencionistas, como infiltrações articulares, que possibilitam alívio mais rápido da dor e contribuem para a redução do uso prolongado de analgésicos, minimizando potenciais efeitos adversos. O manejo precoce favorece a funcionalidade, a mobilidade e a qualidade de vida dos pacientes.
A iniciativa incorpora conceitos atuais da Medicina da Dor à rotina hospitalar, promovendo decisões clínicas baseadas na resposta individual e no acompanhamento contínuo dos resultados.
Impacto da dor e ampliação do cuidado no SUS
O modelo conta com a atuação de médicos ortopedistas com formação em Clínica da Dor, ampliando a abordagem para além do sintoma imediato. O cuidado considera os impactos físicos, emocionais e funcionais associados à dor persistente, com atenção à autonomia e à capacidade de realizar atividades diárias.
Segundo a direção do hospital, estruturar esse olhar desde a chegada do paciente permite respostas mais resolutivas e qualificação do atendimento aos usuários do SUS. O serviço beneficia pacientes com dores pós-operatórias e dores crônicas, como as que acometem joelho, ombro e coluna, condições frequentemente associadas à procura por serviços de saúde e ao afastamento laboral.
A ampliação do cuidado fortalece a assistência ortopédica pública ao integrar avaliação especializada, tomada de decisão clínica e acompanhamento funcional.
Abordagem integral e efeitos na reabilitação
A adoção do modelo no HOEB reforça uma mudança de paradigma na prática ortopédica. A intensidade da dor nem sempre corresponde à gravidade das alterações observadas em exames de imagem, e pacientes podem manter dor e limitação funcional mesmo após a cicatrização dos tecidos.
Nesse contexto, reconhecer a dor como uma condição multifatorial, influenciada por fatores biológicos, emocionais e sociais, contribui para maior adesão à fisioterapia, aceleração da reabilitação e, em determinadas situações, redução da necessidade de intervenções cirúrgicas.
O manejo adequado desde o início do atendimento promove um cuidado mais integrado e direcionado às necessidades reais do paciente, com impacto direto nos desfechos assistenciais.


Deixe um comentário