A estudante de Jornalismo Carol Xavier, moradora da comunidade de Sussuarana, foi eleita Deusa do Ébano 2026 durante a 45ª Noite da Beleza Negra, realizada no sábado (17/01/2026), em Salvador. O evento integra a programação oficial do Ilê Aiyê e definiu ainda Sarah Moraes e Stephanie Ingrid como princesas do bloco para o próximo ciclo carnavalesco.
A cerimônia foi marcada pela passagem simbólica do manto de Lorena Bispo, Deusa do Ébano 2025, para Carol Xavier. As duas haviam dividido anteriormente o posto de princesas em 2024, consolidando no palco a continuidade de um processo coletivo de formação e reconhecimento.
Inspirada no tema do Carnaval 2026 do Ilê Aiyê, a edição destacou a herança ancestral do povo afro-indígena de Maricá e reafirmou a centralidade da memória, da identidade e da representatividade feminina negra no projeto cultural do bloco.
Trajetória de Carol Xavier até o título
A Deusa do Ébano 2026, Carol Xavier, tem 27 anos e atua como empreendedora, dançarina, atriz e professora de dança afro infantil. Além da formação acadêmica em Jornalismo, sua trajetória está vinculada à comunidade de Sussuarana, à família de Axé e a referências culturais e religiosas que orientam sua atuação artística.
Carol também destacou o papel da família em sua formação, especialmente a relação com a filha Luara Ayo, de 6 anos, que acompanha de perto sua vivência com a música e a dança. A presença intergeracional foi apontada como elemento central no processo que culminou na conquista do título.
A eleita afirmou que o resultado representa não apenas uma conquista individual, mas o reflexo de um percurso compartilhado com pessoas da comunidade que participaram diretamente da preparação para o concurso.
Histórico de participações e persistência no concurso
Antes de alcançar o título de Rainha do Ilê Aiyê, Carol Xavier esteve no pódio da Noite da Beleza Negra em outras duas edições. Em 2023, conquistou o segundo lugar, e em 2024, ficou em terceiro lugar. Após esse ciclo, optou por interromper temporariamente a participação para reavaliar sua preparação.
O retorno ocorreu na edição de 2026, quando apresentou uma proposta amadurecida, construída a partir de reflexões sobre trajetória, identidade e representatividade. Segundo a própria Carol, o apoio coletivo foi decisivo para a conquista.
A vencedora destacou que o concurso ultrapassa a dimensão estética e atua como ferramenta de fortalecimento da autoestima da mulher negra, papel desempenhado pelo Ilê Aiyê há mais de quatro décadas.
Princesas do Ilê Aiyê 2026
A segunda colocada, Sarah Moraes dos Santos, de 28 anos, moradora de Sussuarana, atua como auxiliar administrativa, é dançarina há mais de dez anos e mobilizadora sociocultural. Esta foi sua segunda participação no concurso, após ter concorrido em 2024.
Sarah afirmou que a decisão de retornar esteve relacionada à avaliação positiva de sua experiência anterior e à compreensão do concurso como um processo formativo. Sua relação com o Ilê Aiyê teve início na adolescência, por meio da participação em eventos e do contato com as narrativas musicais do bloco.
A candidata apontou a dança e a representação feminina negra como elementos centrais de sua motivação para integrar o concurso.
Terceira colocação reforça continuidade no pódio
A terceira colocada, Stephanie Ingrid Silva Sousa de Deus, de 24 anos, moradora do Nordeste de Amaralina, é dançarina, coreógrafa e arte-educadora. Ela participou do concurso por três anos consecutivos — 2024, 2025 e 2026 — e manteve a posição de princesa nas duas últimas edições.
Stephanie destacou o impacto do Ilê Aiyê em sua formação pessoal e artística, apontando o bloco como espaço de fortalecimento identitário e de reconexão com a ancestralidade. A permanência no pódio foi apresentada como resultado de um processo contínuo de aprendizado.
A relação com o Ilê Aiyê, segundo ela, é atravessada por memórias familiares e pela presença constante do bloco em sua trajetória desde a infância.
Realização e apoios institucionais
A 45ª Noite da Beleza Negra 2026 foi realizada pela Associação Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê em parceria com o Governo Federal. A produção ficou a cargo da Caderno 2 Produções e da Central Black Entretenimento.
O evento contou com patrocínio do Grupo Belov, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e da Bahiagás. Houve ainda apoio institucional da Prefeitura de Salvador, via Procultura, além de apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, e apoio de empresas e veículos de comunicação parceiros.


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