Salvador recebe o espetáculo “Gostava mais dos pais”, protagonizado por Lucio Mauro Filho e Bruno Mazzeo, no Teatro SESC Casa do Comércio. A comédia entra em cartaz nos dias 29, 30 e 31 de janeiro e 01 de fevereiro de 2026, reunindo o público em torno de uma proposta cênica que articula amizade, herança familiar e transformações no humor brasileiro.
A montagem parte da experiência pessoal dos atores como filhos de Chico Anysio (1931–2012) e Lucio Mauro (1927–2019), nomes centrais da história da comédia nacional. A narrativa utiliza esse contexto como base para discutir identidade profissional, tempo e adaptação às mudanças culturais, sem assumir caráter biográfico tradicional.
Com circulação nacional anterior, o espetáculo registra mais de 80 mil espectadores em apresentações realizadas em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Florianópolis. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.
Concepção artística e desenvolvimento do projeto
O projeto teve início antes do período da pandemia, durante a turnê do espetáculo “5x Comédia”, que passou por Salvador no Teatro Castro Alves. A direção é assinada por Debora Lamm, enquanto a dramaturgia foi desenvolvida por Aloísio de Abreu e Rosana Ferrão, a partir de relatos e reflexões apresentados pelos protagonistas.
O processo criativo envolveu a colaboração direta dos atores na construção do texto, com foco em temas relacionados à trajetória profissional, às relações pessoais e às mudanças no cenário cultural. A encenação adota estrutura fragmentada, organizada em esquetes independentes, que se articulam ao longo do espetáculo.
A proposta prioriza uma abordagem objetiva, conectando vivências individuais a questões coletivas presentes no cotidiano contemporâneo.
Estrutura cênica e temas abordados
Durante a apresentação, Lucio Mauro Filho e Bruno Mazzeo interpretam cerca de dez personagens, além de diferentes versões de si mesmos. As cenas abordam temas como limites do humor, cultura do cancelamento, uso das redes sociais, viralização de conteúdos e circulação de informações falsas.
Esses elementos são apresentados como parte do contexto atual da produção cultural, relacionando o exercício do humor às transformações tecnológicas e sociais. O espetáculo propõe reflexão sobre o papel do comediante na sociedade, considerando mudanças de linguagem e de comportamento do público.
A abordagem mantém foco na observação crítica, sem recorrer a julgamentos ou conclusões fechadas.
Legado familiar e identidade profissional
O título “Gostava mais dos pais” faz referência a situações recorrentes enfrentadas pelos atores em interações com o público, marcadas por comparações com seus pais. O espetáculo incorpora essas experiências como recurso narrativo para discutir o peso simbólico do sobrenome e as expectativas associadas à herança artística.
Cenas específicas tratam da dificuldade de dissociar a trajetória individual do legado familiar, explorando esse tema de forma direta. A cenografia de Daniela Thomas utiliza imagens de arquivo para contextualizar visualmente essas referências, integrando passado e presente na construção cênica.
A proposta destaca a busca por autonomia profissional dentro de um contexto de forte reconhecimento público.
Maturidade, mercado cultural e novas linguagens
Outro eixo central da peça é a discussão sobre maturidade profissional, relevância no mercado cultural e adaptação às novas plataformas digitais, como TikTok e YouTube. O texto problematiza a relação entre experiência acumulada e a necessidade de diálogo com novas formas de comunicação.
Essas reflexões são apresentadas como parte de um processo contínuo de adaptação, comum a profissionais que atuam há décadas no setor cultural. O espetáculo aborda esse cenário sem indicar soluções, concentrando-se na exposição dos desafios enfrentados.
A narrativa reforça a importância de conciliar repertório técnico, abertura ao novo e manutenção da identidade artística.


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