Salvador: Pôr do Som celebra a chegada de 2026 no Farol da Barra com reverência aos orixás e homenagem à ialorixá Mãe Carmen

O primeiro pôr do sol de 2026 foi marcado por música, espiritualidade e celebração coletiva no Farol da Barra, em Salvador, durante a 26ª edição do Pôr do Som. Realizado nesta quinta-feira (01/01/2026), o evento contou com apresentação de Daniela Mercury, convidados especiais e homenagem à ialorixá Mãe Carmen de Oxaguiã, falecida em 26 de dezembro, reafirmando o caráter simbólico e cultural que consolidou o projeto como uma das principais celebrações públicas do calendário baiano de Ano Novo.

Evento consolida tradição cultural no início do ano

Criado e idealizado por Daniela Mercury, o Pôr do Som tornou-se, ao longo de mais de duas décadas, um ritual coletivo de abertura do ano em Salvador. Em 2026, a celebração reuniu centenas de pessoas de diferentes faixas etárias e origens, que acompanharam o espetáculo ao ar livre enquanto o sol se punha sobre o litoral da capital baiana.

A estrutura montada para esta edição incluiu uma passarela de cerca de 40 metros, permitindo acesso visual direto ao Farol da Barra e ampliando a integração entre público, paisagem e apresentação artística. O formato reforçou o caráter simbólico do evento, que associa música, natureza e espiritualidade em um mesmo gesto cultural.

Participações especiais e apresentação inédita

Além da apresentação principal de Daniela Mercury, o espetáculo contou com participações especiais de Ivete Sangalo e Geraldo Azevedo, além de uma performance inédita envolvendo integrantes da família Mercury. A proposta artística buscou dialogar com a diversidade musical brasileira, sem romper com a identidade do projeto.

O repertório transitou entre clássicos e novas composições, mantendo a marca do Pôr do Som como um espetáculo que une celebração popular e reflexão simbólica sobre o início de um novo ciclo.

Homenagem à Mãe Carmen e reverência aos orixás

A abertura do show foi dedicada à memória de Mãe Carmen de Oxaguiã, referência religiosa do Terreiro do Gantois, uma das casas mais tradicionais do candomblé no Brasil. Em tom solene, Daniela Mercury interpretou canções que reverenciam os orixás, como Meu Pai Oxalá e É Terreiro, esta última lançada como música do Carnaval de 2026.

Ao contextualizar o repertório, a cantora destacou a centralidade da força feminina e da espiritualidade afro-brasileira na concepção do espetáculo, reforçando a dimensão simbólica do evento como um rito de passagem entre o ano que se encerra e o que se inicia.

Público diverso e presença de artistas

O Pôr do Som atraiu não apenas moradores de Salvador, mas também turistas de diferentes regiões do país. Entre os presentes, relatos indicaram a percepção do evento como um marco simbólico do início do ano, associado à ideia de renovação e convivência coletiva em espaço público.

Artistas e influenciadores também marcaram presença, entre eles o ator Samuel de Assis, que destacou a relevância cultural do evento e a relação afetiva com a cidade de Salvador como cenário do espetáculo.

Apoio institucional e política cultural

O evento contou com patrocínio do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura da Bahia. O secretário de Cultura, Bruno Monteiro, afirmou que o apoio ao Pôr do Som integra a estratégia de valorização da cultura como elemento central da identidade baiana e como política pública de acesso democrático à arte.

Segundo a gestão estadual, iniciativas desse porte contribuem para fortalecer o calendário cultural, estimular o turismo e reafirmar Salvador como referência nacional em manifestações artísticas de grande alcance popular.


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