Museu de Arte da Bahia inaugura três exposições e redefine identidade curatorial com foco em inclusão e representatividade

O Museu de Arte da Bahia (MAB) inaugura, na quinta-feira (18/12/2025), às 18h, três exposições de longa duração que sinalizam uma nova fase da instituição na relação com o acervo e com o público. As mostras Tradição e Invenção, A Arte de Presciliano Silva e A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues integram um reposicionamento curatorial voltado à inclusão, à representatividade e à ampliação das narrativas históricas.

A iniciativa marca a revisão do modelo expositivo tradicional do museu, anteriormente centrado em referências do século XIX associadas às elites. A nova proposta busca dialogar com a diversidade social, cultural e étnica da Bahia, ampliando o reconhecimento de agentes historicamente invisibilizados, como artesãos, trabalhadores e artistas marginalizados.

Segundo a historiadora e mestre em museologia Camila Guerreiro, integrante da Comissão Curatorial do Acervo, a reformulação responde à necessidade de alinhar o museu às múltiplas identidades do estado. A curadoria passa a considerar o MAB como um espaço de reflexão social, cultural e histórica, conectado às demandas contemporâneas.

Revisão curatorial amplia acesso e diversidade de narrativas

O diretor do museu, Pola Ribeiro, afirma que a mudança é resultado de um processo de reflexão institucional sobre o papel dos museus no século XXI. A proposta busca ampliar o acesso, aproximar novos públicos e promover reconhecimento entre visitantes que antes não se viam representados no espaço.

A nova leitura do acervo propõe uma abordagem crítica das formas de exibição, aproximando as obras de debates atuais, especialmente aqueles relacionados à representatividade étnica e ao protagonismo de mulheres artistas. O projeto também valoriza os diferentes contextos históricos e sociais que atravessam a coleção do museu.

O reposicionamento institucional reforça o MAB como um organismo cultural dinâmico, atento às transformações sociais e às demandas por maior diversidade nos espaços museológicos.

Tradição e Invenção

A exposição Tradição e Invenção reúne mais de 150 obras da pinacoteca do MAB, além de oito peças emprestadas por outras instituições e por artistas contemporâneos, como Tiago Sant’Ana e Mike San Chagas. A mostra percorre a produção artística baiana do período barroco ao século XX.

O diálogo entre obras históricas e contemporâneas propõe reflexões sobre permanências, rupturas e transformações estéticas, tensionando o conceito de invenção na arte. A curadoria propõe novas leituras sobre a tradição artística local a partir de conexões com a produção atual.

Um dos eixos centrais da exposição é a valorização da produção de artistas negros, com destaque para a afirmação pública da autoria no período pós-abolição como estratégia de reconhecimento e legitimação no campo das artes visuais.

A Arte de Presciliano Silva e A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues

As exposições A Arte de Presciliano Silva e A Pintura de Manoel Lopes Rodrigues são dedicadas aos artistas com maior número de obras no acervo do MAB. As mostras apresentam recortes representativos de suas trajetórias e de seus contextos históricos.

As exposições oferecem uma leitura abrangente das contribuições dos dois artistas para a arte baiana e para o panorama pictórico nacional, destacando aspectos técnicos, temáticos e históricos de suas produções.

A concepção e a curadoria das três exposições são assinadas pela Comissão Curatorial do Acervo do MAB, composta por profissionais do museu e docentes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), reforçando o caráter crítico e contemporâneo do novo projeto institucional.


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