Salvador recebe II Seminário Franco-Brasileiro sobre Analgesia Peridural no Parto no SUS

Na quinta e sexta-feira (18 e 19/12/2025), Salvador sedia o II Seminário Franco-Brasileiro sobre Analgesia Peridural no Parto, promovendo debate sobre a ampliação do acesso à analgesia peridural nas maternidades públicas do SUS. O encontro integra o Projeto de Ampliação da Oferta da Analgesia Peridural no Parto em Maternidades Brasileiras e reúne gestores, pesquisadores e profissionais de saúde nacionais e internacionais para discutir estratégias e políticas públicas voltadas à atenção obstétrica segura e humanizada.

O seminário ocorre no Auditório Lúcia Alencar, da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), com foco em reduzir a necessidade de cesarianas sem indicação clínica e promover o parto vaginal seguro. As taxas de cesáreas no Brasil ultrapassam 50% dos nascimentos, número muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que indica entre 10% e 15% da população.

Segundo a médica e pesquisadora Dra. Mônica Almeida Neri (ISC/UFBA), a ampliação do acesso à analgesia peridural representa avanço na atenção obstétrica.

“A dor não pode ser naturalizada como destino das mulheres durante o parto. Garantir analgesia peridural é reconhecer o direito ao cuidado, ao conforto e à segurança, sem abrir mão do parto vaginal”, afirma.

Acesso à analgesia peridural e práticas internacionais

Embora seja rotina em países como a França, a analgesia peridural ainda é pouco ofertada no sistema público brasileiro, especialmente fora dos grandes centros urbanos. A limitação contribui para o medo do parto vaginal e para a realização de cesarianas desnecessárias. O seminário visa apresentar evidências científicas e experiências internacionais que possibilitem sua implementação segura no SUS.

A pesquisadora da Fiocruz, Dra. Maria do Carmo Leal, ressalta a importância do evento.

“Mais do que um evento técnico, o seminário representa um passo decisivo para transformar a experiência do parto no Brasil, garantindo menos dor e mais segurança para as mulheres”, afirma.

O encontro aborda mitos e verdades sobre analgesia, manejo clínico, monitorização materna e a atuação multiprofissional, destacando o papel de enfermeiras obstétricas no processo.

Riscos e desigualdades relacionados às cesarianas

As cesarianas, quando indicadas, são procedimentos seguros, mas sem indicação clínica estão associadas a maior risco de hemorragias, infecções, complicações anestésicas e óbitos maternos. Estudos mostram que o risco de morte pós-parto em cesarianas pode ser três vezes maior do que em partos vaginais, especialmente em situações de complicações obstétricas.

A cooperação internacional, especialmente com especialistas franceses, representa oportunidade de qualificação das maternidades e redução de desigualdades no acesso à analgesia e ao parto seguro.

A participação de profissionais franceses ligados a hospitais universitários proporciona intercâmbio de boas práticas e protocolos clínicos, fortalecendo políticas públicas e integração multiprofissional.

Visita técnica e integração prática

No segundo dia, os participantes realizam visita técnica à Maternidade Maria da Conceição de Jesus, em Salvador, e participam de encontros de diálogo entre equipes brasileiras e francesas, voltados à construção de estratégias conjuntas e adaptação da experiência internacional à realidade do SUS.

Dra. Mônica Neri reforça que a integração entre teoria e prática é essencial para o avanço consistente do modelo de atenção obstétrica.

O tema também foi debatido em audiência pública na Câmara dos Deputados, evidenciando o interesse do legislativo na ampliação do acesso à analgesia peridural e na promoção do parto vaginal seguro no Brasil.


Tags


Deixe um comentário


Discover more from News Veritas Brasil (NV)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading