O Dezembro Vermelho intensifica ações de prevenção diante do registro anual de cerca de 40 mil novos casos de HIV no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Na Bahia, a incidência permanece elevada, com Salvador apresentando aumento das notificações entre jovens de 15 a 29 anos, grupo que também registra queda no uso de preservativos.
Além do HIV, outras infecções sexualmente transmissíveis seguem em crescimento no país. A sífilis contabiliza mais de 220 mil casos anuais, enquanto hepatites virais e gonorreia mantêm tendência de expansão. Especialistas reforçam a importância da prevenção combinada, que inclui preservativos, testagem regular, PrEP e PEP como estratégias fundamentais para conter transmissões.
Entre os fatores associados ao aumento das infecções, profissionais de saúde alertam para a circulação de informações incorretas sobre riscos e proteção. O infectologista Victor Castro Lima, do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), destaca que avanços terapêuticos não reduzem a necessidade de cuidados básicos, como o uso consistente de preservativos e a realização periódica de exames.
Prevenção combinada e ampliação do acesso à PrEP e à PEP
A oferta ampliada de PrEP e PEP tem sido apontada pelo Ministério da Saúde como um dos pilares para frear novas infecções. O número de usuários de PrEP ultrapassou 200 mil em 2024, mas a adesão permanece limitada no interior da Bahia, onde a testagem e o acompanhamento ainda são menos frequentes.
A PrEP é recomendada para pessoas sem HIV que apresentam risco contínuo de exposição, enquanto a PEP é uma medida emergencial indicada após possível contato recente com o vírus. Segundo o HMDS, a PEP deve ser iniciada em até 72 horas, com maior efetividade quando administrada o quanto antes.
Importância da testagem rápida e do diagnóstico precoce
A testagem gratuita está disponível em unidades de saúde e centros especializados de Salvador, porém parte da população busca atendimento apenas após sintomas iniciais, o que pode atrasar o início do tratamento. Profissionais reforçam que o diagnóstico precoce é decisivo para reduzir complicações e interromper cadeias de transmissão.
Tratamento antirretroviral e impacto na carga viral
A ampliação da terapia antirretroviral permite que pessoas vivendo com HIV alcancem carga viral indetectável, condição que impede a transmissão do vírus por via sexual. Para o HMDS, os resultados evidenciam a importância da adesão contínua ao tratamento e do acompanhamento médico regular em todas as faixas etárias.
“No Mater Dei, acompanhamos pacientes de diferentes perfis e reforçamos a relevância de manter testagem, tratamento e proteção como pilares essenciais”, afirma Castro Lima.


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