Saramandaia, localizado no subúrbio rodoviário de Salvador, apresenta expansão contínua de iniciativas culturais que reforçam o bairro como referência criativa no Brasil. Novas informações destacaram o impacto do Art’Mandaia, coletivo fundado por Lúcio Lima, que fortalece a produção artística e a formação de jovens no território. O bairro reúne projetos culturais, memória comunitária e mobilização social em atividades reconhecidas nacionalmente.
O trabalho artístico desenvolvido em Saramandaia evoluiu a partir da ocupação histórica do bairro, marcado por organização comunitária e criação coletiva. Esse processo estruturou um ambiente de inovação cultural, no qual ações de educação popular, preservação de memória e produção audiovisual ganharam escala. O realizador Lúcio Lima tornou-se um dos nomes centrais desse movimento no cinema periférico brasileiro.
O avanço do bairro como polo cultural também está associado ao fortalecimento de práticas comunitárias, que incluem oficinas, espetáculos, debates e cineclubes. Essas ações ampliam o acesso à cultura e fortalecem vínculos entre moradores, escolas e instituições públicas.
Lúcio Lima e a construção de um território criativo
A trajetória de Lúcio Lima, iniciada no grupo de teatro da APMS, consolidou seu papel como realizador comprometido com narrativas produzidas a partir do próprio território. Seu primeiro papel em “Trampolim do Forte”, de João Rodrigo Matos, marcou a entrada no audiovisual e definiu a continuidade de sua atuação no cinema comunitário. O realizador mantém foco em histórias locais e processos de criação construídos junto aos moradores.
O compromisso com a memória do bairro resultou na produção de “Retalhos – A memória viva de Saramandaia”, documentário baseado em depoimentos, arquivos e registros visuais que remontam às décadas de 80 e 90. A obra registra processos de organização social, mutirões e práticas comunitárias que moldaram a identidade do território. O trabalho ampliou o interesse por estudos de memória e cultura local.
Na sequência, o realizador desenvolveu “Pernambués – Quilombo Urbano”, aprofundando a análise de um dos maiores territórios negros da capital baiana. O projeto ampliou o repertório audiovisual de Lima, que agora conclui um novo documentário sobre o Quilombo do Cabula, território marcado por tradições bantas e práticas culturais que atravessam séculos de história.
Fortalecimento do Art’Mandaia e reconhecimento nacional
O Art’Mandaia, criado há 15 anos por Lúcio Lima, estruturou-se como coletivo de formação, criação e preservação cultural. O projeto atua com oficinas de audiovisual, ações em escolas, cineclubes, eventos de rua e produção de acervos, compondo uma rede comunitária de aprendizado e memória. O coletivo transformou Saramandaia em um território de circulação de conhecimento e estímulo à criação artística.
O reconhecimento institucional veio com a certificação como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, validando a atuação do coletivo no cenário da cultura popular e da formação cidadã. Em 2025, o projeto alcançou novo patamar ao ser incluído entre os vencedores do Prêmio Periferia Viva 2025, do Ministério das Cidades. O programa selecionou 150 iniciativas em meio a mais de 2.600 inscritas de todo o país.
A conquista reforça a posição de Saramandaia como referência em mobilização comunitária, educação popular e criatividade, ampliando a visibilidade do trabalho local e fortalecendo a identidade do bairro como polo cultural regional.
Expansão para a ficção e presença em festivais
Além dos documentários, Lúcio Lima finalizou em 2025 seu primeiro filme de ficção, “Mundinho”. A obra acompanha a rotina de um casal de idosos durante o período de lockdown, interpretados pelos atores baianos Luiz Pepeu e Cyria Coentro. O longa aborda temas relacionados à sobrevivência e convivência familiar, adotando recorte alinhado às experiências sociais de parte da população brasileira naquele período.
O filme foi selecionado para a Mostra Competitiva Nacional do Festival de Cinema de Trancoso, onde fará sua estreia nacional em dezembro. A seleção amplia a presença do realizador em circuitos de exibição e fortalece o alcance das narrativas produzidas a partir de Saramandaia.
O cineasta também acumula reconhecimentos como o Prêmio Antonieta de Barros, destinado a jovens comunicadores negros, e o Prêmio Comunica a Diversidade, do Ministério da Cultura, que destaca iniciativas de comunicação popular com impacto nacional.
Referências familiares e comunitárias
Em suas produções, Lúcio destaca influências como Seu Armando Nicolau, Dona Terezinha, Luciene Oliveira, Cícero Lima e o Padre Geraldo. As referências reforçam a relevância da memória comunitária e das relações estabelecidas ao longo da história do bairro. Saramandaia permanece como eixo central de sua criação, consolidando-se como território de origem e destino das narrativas produzidas pelo realizador.
“Eu tenho orgulho de onde eu sou. Saramandaia é o meu ponto de partida e de chegada. É o lugar que me ensinou que a periferia não é cenário: é protagonista”, afirma.


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