A Câmara Municipal de Salvador realizou, na terça-feira (11/11/2025), uma sessão especial em homenagem aos 50 anos de iniciação de Pai Carlinhos de Oxum, hungbono do Hùnkpàmé Karè Lewí Xwè, terreiro localizado na Fazenda Grande VI, em Cajazeiras, referência da tradição Jeje Savalu na capital baiana. O evento, realizado no Centro de Cultura Manuel Querino, reuniu lideranças religiosas, parlamentares, servidores públicos, acadêmicos e representantes de comunidades de axé.
A solenidade, proposta pela vereadora Marta Rodrigues (PT), reforçou o compromisso do Legislativo com políticas públicas de preservação dos terreiros, combate ao racismo religioso e garantia de direitos das comunidades tradicionais de matriz africana. Marta Rodrigues destacou a relevância da trajetória de Pai Carlinhos e seu papel na transmissão de conhecimento e memória cultural:
“Conhecer e reconhecer é a melhor forma de preservar. Pai Carlinhos é um griot de sabedoria que passa conhecimento às novas gerações”, afirmou.
Trajetória e legado de Pai Carlinhos de Oxum
Em seu discurso, Pai Carlinhos de Oxum relatou sua trajetória de fé e o impacto da intolerância religiosa ao longo de cinco décadas. Ele enfatizou a importância da preservação da ancestralidade, saberes e cultura do Candomblé, reconhecendo o papel das mulheres na transmissão desses conhecimentos. Pai Carlinhos afirmou:
“Nossos ancestrais foram trazidos da África escravizados, e é responsabilidade nossa preservar e transmitir sua história e cultura”.
Além de sua atuação religiosa, Pai Carlinhos possui formação acadêmica e carreira pública, sendo graduado em Enfermagem pela UFBA, licenciado em Nutrição e pós-graduado em Gestão Pública, além de ter atuado como servidor do TRT-5, onde administrou as 39 Varas do Trabalho de Salvador. Sua trajetória une fé, conhecimento e compromisso com o bem comum, consolidando sua atuação em diferentes esferas da sociedade.
Reconhecimento institucional e comunidade
Durante a sessão, representantes de instituições governamentais e acadêmicas destacaram a importância de políticas públicas que garantam direito à cidade, preservação do patrimônio cultural e permanência das comunidades tradicionais diante da especulação imobiliária e desafios sociais. Compuseram a mesa: Monique Reis (Sepromi), Ìyá Márcia d’Ògún (RENafro/CONIRB), José Luiz Moreno Neto (Neto de Oxum, UFBA) e Wando Amaral (GERMAA/UEPA), reforçando o diálogo entre Estado, academia e comunidade religiosa.
Pai Carlinhos recebeu o reconhecimento da Câmara Municipal como forma de valorizar a ancestralidade, espiritualidade e memória cultural, destacando o papel de liderança e transmissão de conhecimento aos filhos de santo e à sociedade em geral.


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