A Câmara Municipal de Salvador realizou, na sexta-feira (31/10/2025), uma sessão especial em homenagem aos 115 anos da Maternidade Climério de Oliveira (MCO), hospital-escola vinculado à Universidade Federal da Bahia (UFBA). O evento, proposto e presidido pela vereadora Aladilce Souza (PCdoB), reuniu autoridades, profissionais de saúde e ex-pacientes para reconhecer o papel da maternidade como referência em assistência humanizada e ensino em obstetrícia.
Depoimentos reforçam legado de acolhimento da MCO
Durante a cerimônia, Taíse Pinheiro, usuária dos serviços da MCO, relatou sua experiência de atendimento em 2017, quando enfrentou um parto prematuro. Segundo ela, o acolhimento da equipe médica foi decisivo naquele momento.
“Mesmo sabendo que meu filho poderia não sobreviver, fui acolhida por todos e instalada na Casa da Gestante, com transporte garantido”, afirmou.
Após a perda do filho, em 2018, Taíse criou a ONG Mães de UTIneo, em parceria com a maternidade, com o objetivo de oferecer apoio a mães em luto perinatal e promover pesquisas sobre causas de parto prematuro. O depoimento emocionou o público e simbolizou o impacto do atendimento prestado pela unidade.
Participação de autoridades e reconhecimento institucional
A vereadora Aladilce Souza, que é enfermeira e professora da UFBA, destacou a importância da maternidade para a história da saúde pública baiana. Autora da Lei Maternidade Certa, que garante o direito de a gestante saber onde será realizado o parto, Aladilce ressaltou a relevância do vínculo entre a MCO e o Sistema Único de Saúde (SUS).
“A hora de parir deve ser um momento de vida e não de dor. Somos nós que fazemos a vida”, declarou.
A deputada federal Alice Portugal (PCdoB), também presente na solenidade, lembrou que nasceu e deu à luz na Maternidade Climério de Oliveira.
“Pari lá por escolha, para demonstrar a confiança na instituição que sempre defendi. A Climério é motivo de orgulho para o povo da Bahia”, afirmou.
UFBA destaca papel científico e social da maternidade
O reitor da UFBA, Paulo Miguez, destacou a relevância da MCO em três dimensões: como “casa das mulheres”, instituição do SUS e espaço de pesquisa e ciência. Ele acrescentou um registro pessoal ao afirmar: “Lá nasceu minha neta”. A maternidade, segundo o reitor, consolida a integração entre assistência, ensino e extensão universitária.
Excelência no atendimento e compromisso social
A superintendente da MCO, Sinaide Coelho, ressaltou que 97% das pacientes atendidas são mulheres negras e que a instituição é voltada especialmente para gestantes em situação de vulnerabilidade social. “Não aceito menos do que um serviço público de qualidade”, afirmou. Ela destacou ainda programas de acolhimento para mulheres em situação de rua, com transtornos mentais, dependência química e pessoas trans, além de reconhecer a parceria com o grupo Salvar, do Corpo de Bombeiros, no incentivo ao aleitamento materno e coleta para o banco de leite.
Durante o evento, foram homenageados Sinaide Coelho, Carlos Menezes, Dolores Fernandez, agentes do grupo Salvar e representantes de diferentes setores da maternidade. A programação cultural contou com Bonfim, da Assufba, e a cantora Lucy, enfermeira da MCO, acompanhada pelo músico Luca.


Deixe um comentário