A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) comemorou 31 anos sem notificações de poliovírus selvagem nas Américas, marco histórico na saúde pública regional. Apesar da conquista, a agência alerta que a cobertura vacinal ainda está abaixo do necessário: em 2024, apenas 83% das crianças receberam a terceira dose da vacina, abaixo dos 95% exigidos para prevenir novos surtos.
A poliomielite é uma doença viral que afeta o sistema nervoso, podendo causar paralisia permanente, principalmente em crianças menores de cinco anos. Até o início da década de 1990, milhares de crianças eram afetadas, com quase 6.000 casos registrados em 1975 e o último caso notificado no Peru em 1991. Em 1994, a região das Américas foi certificada como livre da poliomielite.
Vigilância e estratégias de prevenção
O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que o marco de 31 anos sem circulação do vírus é resultado de vacinação em massa e esforços coletivos. No entanto, a agência alerta que a manutenção do status depende de vigilância contínua e da cobertura vacinal adequada, especialmente em áreas de baixa imunização, onde o vírus pode sofrer mutações e se espalhar.
A estratégia regional inclui a ampliação do uso da nova vacina oral contra a poliomielite, bem como campanhas de conscientização, cooperação técnica e garantia de acesso a vacinas seguras e eficazes, apoiadas pelo Fundo Rotativo da Opas.
Outros avanços em saúde pública
Além da poliomielite, a região alcançou eliminações significativas de doenças: varíola (1980), sarampo (2016, com ressurgimentos pontuais), rubéola, rubéola congénita, tétano neonatal (2017), dracunculíase e febre amarela (sem casos desde 2008). O México se destacou ao eliminar o tracoma em 2017 e a raiva humana transmitida por cães em 2019.
A Opas reforça que essas conquistas dependem de sistemas de imunização sólidos e vigilância ativa, com a participação de governos, profissionais de saúde, famílias e demais setores da sociedade.
Apelo à ação
A agência conclama pais, cuidadores e profissionais de saúde a verificarem registros de vacinação, combaterem desinformação e fortalecerem programas nacionais de imunização, mantendo a região livre da poliomielite e prevenindo o ressurgimento de doenças controladas.
*Com informações da ONU News.


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