Na manhã de segunda-feira (22/09/2025), trabalhadores da Praia das Neves, em Ilha de Maré, participaram de uma reunião emergencial com o mandato da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL) para discutir a notificação de derrubada de cerca de 20 barracas, expedida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur). A medida preocupa famílias que dependem economicamente da atividade.
Notificação e impacto na comunidade
A notificação foi entregue na terça-feira (16/09/2025), concedendo 48 horas para a retirada das estruturas. Trabalhadores afirmam que o prazo se esgotou sem esclarecimentos da Sedur, o que gerou apreensão e mobilizou a comunidade.
A vereadora, moradora de Ilha de Maré, declarou que a medida afeta diretamente uma comunidade negra tradicional, comprometendo o sustento de dezenas de famílias.
Inquérito e questões ambientais
Durante o encontro, foi informado que a Procuradoria da República na Bahia encaminhou um inquérito à Sedur, solicitando investigação sobre possível poluição ambiental provocada pelas barracas, banheiros e chuveiros instalados na região.
Segundo os trabalhadores, não houve convocação para reuniões ou fiscalização prévia, apenas a entrega da notificação de remoção.
Histórico de conflitos e críticas à gestão
A comunidade lembra que em 2020, durante a pandemia de Covid-19, os barraqueiros também foram notificados por supostas irregularidades, sem que fossem apresentadas propostas de infraestrutura ou diálogo para solução do problema.
Representantes locais criticam a ausência de investimentos públicos.
“Você pode andar pela Praia das Neves e não vai encontrar sequer uma lata de lixo que a Prefeitura colocou”, afirmou Daise Damasceno, proprietária da barraca Point da Daise.
Acompanhamento judicial e mobilização social
Diante do impasse, a Defensoria Pública do Estado (DPE), o Ministério Público Estadual (MPE), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF) foram acionados para acompanhar o caso.
Os barraqueiros relatam que a remoção pode comprometer a principal fonte de renda da comunidade, afetando também barqueiros, ambulantes e o comércio informal que depende do fluxo turístico da praia.


Deixe um comentário