O mercado de trabalho brasileiro apresentou queda nas taxas de desemprego no segundo semestre de 2025, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado na sexta-feira (15/08/2025). Entre os estados, os índices ficaram em 8,1% no Rio de Janeiro, 5,1% em São Paulo, 4% em Minas Gerais e 3,1% no Espírito Santo.
No consolidado nacional, mesmo com o fim das vagas temporárias que movimentam o mercado entre fevereiro e junho, a taxa de desemprego permaneceu em 5,8%. Entre as 27 unidades federativas, 18 registraram queda, enquanto 9 permaneceram estáveis, como Pernambuco (10,4%), Distrito Federal (8,7%) e Sergipe (8,1%).
Com esse cenário, especialistas apontam que a concorrência pelas vagas exige novas competências. Embora o avanço da tecnologia siga determinante para os setores de contratação, as soft skills passaram a ser diferenciais estratégicos para recrutadores, conforme relatório da McKinsey & Company.
Segundo Vinicius Walsh, diretor da Transite e especialista em transição de carreira, seis competências se destacam em processos seletivos: comunicação eficaz, trabalho em equipe, adaptação (aprendizado contínuo), resiliência, proatividade e autonomia. Para ele, tais habilidades são cada vez mais decisivas diante da transformação digital e da consolidação de modelos de trabalho híbrido e remoto.
Walsh afirma que, enquanto habilidades técnicas podem ser adquiridas por meio de cursos e treinamentos em períodos curtos, as competências comportamentais exigem maturidade emocional, inteligência relacional e capacidade de aprendizado constante. Por isso, candidatos que demonstram essas qualidades ampliam suas chances de aprovação, mesmo sem experiência consolidada na área desejada.
O especialista ressalta ainda que os recrutadores observam não apenas a formação e a experiência, mas também a postura e o potencial de desenvolvimento. Dessa forma, a construção de uma identidade profissional consistente passa a ser um fator determinante para se posicionar no mercado.
Estratégias para entrevistas de emprego
De acordo com Walsh, é possível comprovar soft skills mesmo sem histórico técnico robusto. Para isso, recomenda o uso do storytelling estruturado, em que o candidato apresenta exemplos de situações enfrentadas, aprendizados obtidos e resultados alcançados. Essa técnica permite traduzir experiências em valor agregado para a organização.
Além de experiências em empregos anteriores, projetos pessoais, cursos, atividades em comunidades e voluntariado também podem ser utilizados como provas de competências comportamentais. O especialista orienta que candidatos conectem essas vivências às exigências do cargo, demonstrando como lidaram com desafios, lideraram iniciativas ou se adaptaram a mudanças.
Outro ponto destacado é a importância da prova social, como compartilhar conteúdos em redes profissionais, realizar trabalhos independentes, participar de eventos e construir projetos autorais. Essas ações ajudam a consolidar a imagem profissional antes mesmo da entrevista, aumentando as chances de destaque.
Para Walsh, tratar as soft skills como recurso secundário pode comprometer oportunidades. Ele defende que sejam consideradas pilares da estratégia de recolocação ou transição de carreira, sendo demonstradas de forma prática, e não apenas declaradas em entrevistas.


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