A Bienal do Lixo 2025 reúne artistas estabelecidos e novos talentos em uma exposição dedicada à arte sustentável no Farol da Barra, em Salvador (BA), entre quinta-feira e domingo (04 a 07/09/2025). A mostra apresenta obras feitas com plástico, papelão, metais, vidro e eletrônicos, inclui a estreia no Brasil da ONG Ocean Sole e oferece oficinas de upcycling, painéis e um Desfile Sustentável. Organização, infraestrutura e parcerias visam articular arte, consumo e reaproveitamento de materiais.
Exposição principal e destaque internacional
A mostra central ocupará um domo e áreas expositivas para apresentar trabalhos que requalificam resíduos como matéria-prima artística. A ONG Ocean Sole, sediada em Nairóbi, participa com duas esculturas de grande porte — uma girafa e um elefante — confeccionadas a partir de chinelos reciclados recolhidos em praias e oceanos.
Segundo Erin Smith, CEO da Ocean Sole, “por meio da arte, destacamos a poluição por resíduos plásticos, protegemos a vida marinha e criamos meios de subsistência sustentáveis”.
Além da ONG internacional, a curadoria inclui artistas brasileiros que trabalham a partir de materiais reaproveitados. Entre os nomes citados estão Jota Azevedo e Cacau, que integraram a primeira edição da Bienal realizada em São Paulo. As obras abrangem esculturas, instalações e registros fotográficos originados de coleta e transformação de resíduos.
Instalações sonoras e participação de veteranos
O co-curador Cacau apresentará uma instalação sonora interativa inspirada em Trenzinho Caipira, com totens feitos de sucata que permitem ao público criar sons por meio de instrumentos recicláveis. O artista afirma que a obra busca provocar reflexão sobre o destino dos resíduos e o papel social do descarte. Jota Azevedo destaca que a prática artística com materiais reciclados tem ampliado reconhecimento institucional e de mercado.
Estreantes, representatividade social e registros
Artistas em estreia na Bienal relatam ganho de visibilidade e oportunidade de diálogo público. Agatha Faveri, Calvo e Gabriel Gombossy ressaltam o potencial do evento para ressignificar materiais e estimular debates sobre consumo e reutilização. A fotógrafa Marina Moterle exibirá registros de resíduos coletados em viagens internacionais e enfatiza a valorização de catadores e povos originários como atores da regeneração.
Aspecto social e aproximação com a comunidade
De Ilhéus (BA), Goca Moreno sublinha a função social do encontro: aproximar estética e consciência por meio de ações que envolvem comunidades locais. A programação busca integrar público, artistas e agentes sociais em atividades práticas e formativas.
Oficinas, desfile e atividades paralelas
A programação inclui oficinas práticas de upcycling: a ONG Refoliar ministrará quatro oficinas para 120 participantes, ensinando a confeccionar porta-retratos sustentáveis a partir de abadás sem costura. A ONG Humana Brasil oferecerá oficinas de chaveiros e porta-joias feitos com tecidos reaproveitados e disponibilizará um ponto de coleta de roupas. Essas ações colaboram também com os looks do Desfile Sustentável, marcado para sábado (06/09/2025).
Painéis, mostra de cinema e local das atividades
Além do desfile e das oficinas, a Bienal promove Painéis de Diálogos e uma Mostra de Cinema sediados na Associação Atlética da Bahia. As atividades visam fomentar debates sobre consumo, descarte e políticas de reaproveitamento.
Infraestrutura, organização e financiamento
O evento ocupará uma área de 3.000 m² no Farol da Barra, com um domo central de 175 m² para abrigar a exposição principal. A Bienal é organizada pelas agências La Mela e Usina e viabilizada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura. A estrutura física e a curadoria foram projetadas para circulação de público e acessibilidade.
Patrocínio e apoio institucional
A Bienal do Lixo 2025 é apresentada pelo Ministério da Cultura e Rabobank, com realização de La Mela, Usina e apoio do Governo Federal. Entre os patrocinadores estão GWM, Klabin, Deloitte, Química Anastacio, Suhai Seguradora, Irani Papel e Embalagem, Burger King, Starbucks, Popeyes, Banco do Nordeste, Vivensis, Faber-Castell, Celomax, Green Mining e Positiv.a. A prefeitura local também figura como apoiadora institucional.
Conexão com agendas climáticas e metas de conscientização
A programação declara sintonia com os objetivos da COP30, reforçando a Bienal como espaço de reflexão sobre mudanças climáticas, consumo e economia circular. Organizadores destacam a intenção de articular práticas artísticas com políticas públicas e iniciativas de coleta e reciclagem.


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