O governador Jerônimo Rodrigues se reuniu na segunda-feira (04/08/2025) com o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique Passos, e representantes de setores produtivos na sede da instituição, em Salvador, para discutir estratégias contra a tarifa comercial de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, participou de forma remota.
Durante o encontro, foi defendida a inclusão de produtos baianos na lista de exceção da nova política tarifária americana e a adoção de medidas do Governo Federal, como crédito diferenciado e devolução de créditos de ICMS, para setores mais afetados. Atualmente, 8,3% das exportações da Bahia têm como destino os EUA, com destaque para celulose, derivados de cacau e pneus. Somente no primeiro semestre de 2025, o estado enviou mais de US$ 45 milhões em manteiga, gordura e óleo de cacau para o mercado norte-americano.
Segundo Jerônimo Rodrigues, um documento com propostas foi apresentado a Alckmin, que sinalizou que o Governo Federal pode avaliar a retirada de outros produtos da lista de taxação. O vice-presidente reforçou a importância de articulação entre governo e setor privado e informou que o presidente Lula deve anunciar medidas de apoio à produção e ao emprego nos próximos dias.
A nova tarifa, assinada pelo presidente americano Donald Trump na semana passada, entra em vigor nesta quarta-feira (06/08/2025) e exclui cerca de 700 produtos brasileiros. De acordo com dados da FIEB, 332 dos 389 produtos baianos sujeitos à sobretaxa representam 81% da pauta industrial do estado, com perdas estimadas em até R$ 1,3 bilhão — aproximadamente 0,27% do PIB estadual. A medida pode aumentar a ociosidade industrial e afetar empregos em polos produtivos como Camaçari, Feira de Santana, Ilhéus e Vitória da Conquista, entre outros, que empregam cerca de 211 mil trabalhadores.
Essa foi a segunda reunião entre o Governo da Bahia e a FIEB, que formaram um grupo de trabalho no mês passado para propor soluções contra os impactos das tarifas. Para Carlos Henrique Passos, é essencial manter uma agenda permanente de negociações diplomáticas e buscar a exclusão de mais produtos da medida americana.


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