Solidão e solitude: Psicóloga explica as diferenças e impactos na saúde mental

A diferença entre solidão e solitude foi tema de análise da psicóloga Bianca Reis, que abordou como cada uma dessas experiências impacta a saúde mental em um cenário marcado por hiperconectividade e estímulos digitais constantes. A especialista destacou que, enquanto a solitude representa um momento consciente de introspecção, a solidão é caracterizada por um sentimento de desconexão social ou emocional, mesmo quando se está acompanhado.

Em entrevista concedida na sexta-feira (19/07/2025), Bianca explicou que atividades realizadas de forma autônoma e voluntária, como caminhar sozinho ou ir ao cinema, são exemplos de solitude. Essa prática pode trazer benefícios ao bem-estar, desde que não ocorra de forma intensa ou prolongada. Um estudo publicado pela revista científica Plos One aponta que o equilíbrio no tempo dedicado à solitude pode contribuir para o autoconhecimento e a regulação emocional.

Solidão: uma condição com efeitos na saúde física e emocional

Segundo Bianca, a solidão é distinta da solitude por estar frequentemente ligada a sofrimento psicológico e isolamento involuntário. “A solidão com sofrimento, ao ser experienciada por um longo período e independente das circunstâncias externas, está vinculada a problemas cardíacos e ao aumento de riscos para doenças cardiovasculares”, afirmou a psicóloga. Ela explicou que, ao contrário da solitude, a solidão pode gerar um ciclo vicioso de afastamento social, o que afeta negativamente as relações interpessoais e a saúde mental.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Cigna Corporation, em 2023, nos Estados Unidos, 58% dos adultos relataram sentir-se solitários, um número que representa aumento em relação a anos anteriores. O levantamento relaciona essa tendência à pandemia de COVID-19, que intensificou o isolamento social, e ao uso excessivo de tecnologias digitais, que muitas vezes substituem interações humanas presenciais.

Caminhos para enfrentar a solidão e fortalecer o bem-estar

A psicóloga reforçou a importância de identificar os sinais de solidão e de buscar apoio profissional quando necessário. Estratégias como cultivar vínculos significativos, participar de atividades em grupo e integrar-se a espaços comunitários podem contribuir para mitigar os efeitos da solidão indesejada.

“Enquanto a solitude pode ser uma prática saudável, a solidão não desejada representa um desafio significativo para o bem-estar individual e coletivo. Compreender essa distinção é essencial para promover uma relação mais equilibrada consigo mesmo e com os outros”, concluiu Bianca Reis.


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