A bancada de oposição na Câmara Municipal de Salvador divulgou manifesto em repúdio à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras a partir de 1º de agosto, caso o Brasil não conceda anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e demais acusados pela invasão das sedes dos Três Poderes ocorrida em 8 de janeiro de 2023. O grupo classificou a medida como uma ingerência direta na soberania nacional e um uso político da tarifação comercial.
O documento destaca que a imposição tarifária pode afetar diversos setores produtivos do país, incluindo o agronegócio — com produtos como café, laranja, pescado e carne —, que têm o mercado norte-americano como destino significativo das exportações. Além disso, o setor siderúrgico brasileiro, que já enfrenta tarifas elevadas para aço e alumínio no mercado dos EUA, também está em alerta, o que pode resultar em aumento do desemprego nesses segmentos.
A bancada argumenta que o processo judicial envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro é conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não tem relação com o governo atual, reforçando que o julgamento é parte do sistema jurídico interno brasileiro. O manifesto reafirma a importância da independência entre os Poderes, princípio previsto na Constituição Federal, e critica o uso da tarifação como instrumento político unilateral.
Os parlamentares oposicionistas também manifestaram solidariedade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que declarou não aceitar a tutelagem externa e indicou a possibilidade de adotar a Lei da Reciprocidade Econômica como resposta à medida dos EUA.
A lista de assinaturas do manifesto inclui nomes como Aladilce Souza (PCdoB), Sílvio Humberto (PSB), Marta Rodrigues (PT), Hélio Ferreira (PCdoB), David Rios (MDB), Eliete Paraguassú (PSOL), Hamilton Assis (PSOL), João Cláudio Bacelar (Podemos), Randerson Leal (Podemos) e Felipe Santana (PSD).


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