ONU alerta que falta de saneamento e água potável causa 1,4 milhão de mortes por ano

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que 1,4 milhão de pessoas morrem anualmente em decorrência de doenças ligadas à falta de acesso à água potável e ao saneamento básico adequado, como diarreia, cólera e febre tifoide. O dado foi apresentado durante sessão do Conselho de Direitos Humanos, que debateu o tema na quinta-feira (26/06/2025), em Genebra.

Segundo a ONU, cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável, e aproximadamente 3,4 bilhões vivem sem esgotamento sanitário adequado. A vice-alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif, classificou a situação como uma “crise de saúde pública” que não recebe a devida atenção política e financeira.

As taxas de mortalidade relacionadas à falta de saneamento e água potável podem ser até 500 vezes maiores em países de baixa renda em comparação a nações desenvolvidas. A ONU também destacou que conflitos armados, como os que ocorrem na Ucrânia, Gaza e Sudão, têm destruído infraestruturas essenciais, transformando o fornecimento de água e saneamento em instrumentos de guerra.

Eventos climáticos extremos, como secas e furacões, interrompem o fornecimento de água segura, agravando a crise hídrica em diversas regiões. Além disso, o custo elevado para acesso a esses serviços representa uma barreira significativa, principalmente para populações em situação de vulnerabilidade.

O debate no Conselho abordou ainda questões logísticas e estruturais, como a ausência de banheiros adaptados para pessoas com deficiência em muitas regiões, o que limita o acesso universal. Mulheres e meninas são mais afetadas, pois precisam percorrer longas distâncias para obter água ou acessar banheiros, muitas vezes enfrentando riscos de violência.

Populações indígenas, moradores de favelas e comunidades informais estão entre os mais expostos a fontes contaminadas e aos impactos negativos das mudanças climáticas. O relatório da ONU defende a inclusão das populações afetadas nas decisões sobre o gerenciamento de recursos hídricos, garantindo transparência e participação no processo.

A ONU anunciou que realizará a Conferência da Água em 2026, com o objetivo de mobilizar apoio político para enfrentar a crise. O Escritório de Direitos Humanos da organização reforça que água deve ser tratada como bem público e direito humano fundamental, e não como mercadoria.

A ONU propõe ações coordenadas entre governos, setor privado, sociedade civil e organismos internacionais para garantir soluções duradouras, com foco no cumprimento dos princípios de não discriminação, acesso universal, transparência e sustentabilidade dos recursos hídricos.

*Com informações da ONU News.


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