A Prefeitura de Salvador, por meio da Diretoria de Serviços de Iluminação Pública (Dsip), iniciou a instalação de 976 luminárias especiais na orla da cidade, entre os bairros de Itapuã e Ipitanga, com o objetivo de preservar as áreas de desova das tartarugas marinhas. A ação conta com a parceria do Projeto Tamar, ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis).
Os equipamentos utilizam tecnologia de cor quente, com tonalidade amarela, e anteparos que direcionam o fluxo de luz para áreas específicas, evitando que a iluminação artificial interfira no ciclo natural das tartarugas. A medida previne a desorientação de filhotes e fêmeas em período reprodutivo, fenômeno causado por luzes que competem com a luminosidade natural do mar.
A intervenção luminotécnica foi projetada com base em normas ambientais e critérios técnicos. Segundo Ângelo Magalhães, diretor da Dsip, a implantação garante segurança à população e proteção ao ecossistema marinho. O trabalho será acompanhado pelo Projeto Tamar, que monitora a região desde os anos 1980.
De acordo com Nathalia Berchieri, bióloga do Projeto Tamar, a iluminação entre o Farol de Itapuã e Ipitanga segue recomendações do ICMBio e atende à Portaria nº 11/1995 do IBAMA, que proíbe iluminação direta ou indireta nas praias de desova. A especialista destaca que a luz inadequada pode afastar fêmeas durante a postura dos ovos e desorientar filhotes, tornando-os vulneráveis a predadores, desidratação ou atropelamentos.
A bióloga reforça a necessidade de repensar o uso da luz artificial em áreas costeiras, recomendando que apenas ambientes essenciais sejam iluminados. Projetos luminotécnicos devem priorizar tecnologia apropriada e direcionamento correto, evitando reflexos diretos sobre as praias.
A Fundação Projeto Tamar registrou, na última temporada reprodutiva, mais de 250 ninhos e cerca de 20 mil filhotes liberados ao mar somente em Salvador. Os dados indicam recuperação gradual das populações e posicionam a capital baiana como área estratégica para a conservação de tartarugas marinhas, cujas fêmeas iniciam o processo de reprodução entre 20 e 30 anos de idade, conforme a espécie.
Em caso de avistamento de tartarugas nas praias, o cidadão deve acionar o Projeto Tamar, pelos telefones (71) 99979-0392 ou (71) 3676-1045, ou entrar em contato com a Coppa (Companhia de Polícia de Proteção Ambiental) e o GEPA (Grupo Especial de Proteção Ambiental da GCM). Os órgãos parceiros atuam em resgates, encalhes e monitoramento de ninhos e filhotes.
A Fundação Projeto Tamar, com mais de 40 anos de atuação no Brasil, promove a proteção de espécies marinhas ameaçadas, ações educativas e inclusão social em comunidades litorâneas. Entre suas diretrizes está o respeito às leis ambientais vigentes, como a Lei nº 9.605/1998, que proíbe a manipulação de animais silvestres sem autorização legal.


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