O programa Boca de Brasa, da Fundação Gregório de Mattos (FGM), tem se destacado como uma ferramenta para visibilidade, fortalecimento e profissionalização de artistas das periferias de Salvador. Voltado para as áreas de música, literatura e atuação, o projeto apoia a carreira de novos criadores, contribuindo para a ampliação do mercado cultural na capital baiana.
A cantora Andrezza, 28 anos, é um dos exemplos de artista beneficiada pelo Acelera Boca de Brasa, sistema de aceleração que oferece laboratórios, mentorias, imersões e incentivos financeiros. Natural de São Paulo, mas radicada na Bahia, Andrezza atribui ao programa a reavaliação e direcionamento de sua trajetória artística, que inclui dois álbuns independentes gravados em Juazeiro e um novo trabalho em desenvolvimento.
Segundo a artista, o projeto proporcionou um espaço para encontros criativos e troca de experiências que influenciaram diretamente sua carreira. Ela destaca ainda a importância da representatividade regional, afirmando sua ligação afetiva com Uauá (BA), cidade de origem materna.
Nos últimos dois anos, o Boca de Brasa impactou mais de 60 mil pessoas, entre artistas, público e atores da economia criativa local. Foram emitidos 362 certificados, realizadas 60 mentorias e aceleradas 15 iniciativas culturais em diversas regiões da cidade, como Itapuã, Barra, Pituba, Subúrbio, Valéria, Centro e Cidade Baixa.
O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, definiu o programa como um movimento que fortalece o potencial criativo das periferias, atuando como ponto de encontro e formação para grupos frequentemente afastados do circuito cultural tradicional. Guerreiro destacou o papel do projeto na geração de renda e na valorização das identidades culturais locais.
O Acelera Boca de Brasa oferece aos participantes uma bolsa estímulo e um capital semente para o desenvolvimento de projetos. Para o músico Odillon, de 33 anos, o programa foi fundamental para adquirir uma nova perspectiva sobre a gestão da carreira artística, um aspecto que ele considera tão importante quanto a criação artística.
Odillon, que transita no estilo Global Ghettotech — combinação de hip hop, reggae e influências locais — iniciou sua trajetória em corais escolares e já recebeu prêmios regionais, como o Festival da Educadora FM. Ele trabalha atualmente em lançamentos de um novo álbum, previstos para os próximos meses.
O programa Boca de Brasa segue com a missão de promover inclusão cultural, formação e acesso a oportunidades para artistas emergentes, contribuindo para a diversidade e expansão da economia criativa em Salvador.


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