Primeiras famílias de refugiados afegãos chegam ao Brasil com apoio do Acnur

Quatro famílias afegãs, totalizando 18 pessoas, chegaram ao Brasil nesta semana por meio do Programa Brasileiro de Patrocínio Comunitário, com apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur). O grupo desembarcou em São Paulo, proveniente do Paquistão, como parte de uma iniciativa inédita na América Latina para apoiar pessoas deslocadas em razão da crise humanitária no Afeganistão.

O programa tem como objetivo reassentar, proteger e promover a integração local de refugiados, permitindo que organizações credenciadas atuem como patrocinadoras das famílias acolhidas. O Acnur fornece assistência técnica, capacitação dos patrocinadores e articula o diálogo com as autoridades locais e comunidades de acolhimento.

Programa responde à queda nas vagas de reassentamento

A iniciativa brasileira ocorre em um momento de redução expressiva nas oportunidades de reassentamento global. A projeção do Acnur indica que 2,9 milhões de refugiados necessitarão de realocação em 2025, incluindo mais de 500 mil afegãos. Entretanto, o número de vagas disponíveis caiu de 195.069 em 2024 para 31.281 em 2025, o que representa uma diminuição de mais de 80%.

Segundo o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli, o compromisso do Brasil é estratégico diante da escassez de recursos e da diminuição de alternativas de reassentamento. Ele ressaltou a importância de expandir programas como o de patrocínio comunitário diante do atual cenário internacional.

Crise humanitária no Afeganistão amplia demanda por proteção

A deterioração das condições de segurança e dos direitos humanos no Afeganistão levou milhões de pessoas a buscar proteção internacional. Até o final de 2023, mais de 5,7 milhões de afegãos viviam como refugiados no Irã e no Paquistão, enquanto 3,2 milhões permaneciam deslocados internamente dentro do território afegão.

Desde 2020, o governo brasileiro tem adotado medidas para responder à crise, reconhecendo a violação dos direitos humanos no país e implementando visto humanitário específico para afegãos. Até o momento, mais de 13 mil vistos foram emitidos com esse propósito.

Acolhimento envolve articulação com sociedade civil

A chegada das primeiras famílias ao Brasil é resultado da articulação entre entidades da sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que prestam apoio no processo de recepção e integração dos refugiados. Mulheres, crianças e adolescentes estão entre os beneficiados, e a expectativa é de ampliação do programa nos próximos meses.

As organizações envolvidas ressaltam a importância de um modelo de acolhimento que envolva a comunidade local, promovendo autonomia e inserção social gradual dos recém-chegados por meio de redes de apoio, habitação, acesso à saúde, educação e oportunidades de trabalho.

* Com informações Nações Unidas.


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