Alopecia, condição que impacta milhões de brasileiros, foi tema central no 35º Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, realizado em Salvador, na Bahia, neste sábado (26/04/2025). Especialistas nacionais e internacionais apresentaram inovações no diagnóstico e tratamento da perda capilar, abordando os impactos físicos, emocionais e sociais da doença.
A apresentadora Xuxa Meneghel, aos 61 anos, tornou público seu diagnóstico de alopecia androgenética, uma forma hereditária de calvície. Ela relatou a experiência de perceber o afinamento e a queda dos fios, que culminaram em um transplante capilar, procedimento realizado com o apoio da filha.
Alopecia e seus impactos sociais
Segundo o dermatologista Paulo Barbosa, presidente do congresso, a alopecia vai além da questão estética, afetando a identidade e a autoestima, especialmente das mulheres. O problema, ainda cercado de tabus, acomete aproximadamente 20 milhões de brasileiras, muitas vezes mascarado por laces e outros acessórios.
Durante o congresso, a médica Susan Taylor, da Universidade da Pensilvânia, discutiu a importância de reconhecer diferentes tipos de alopecia, como o líquen plano pilar (LPP), a alopecia fibrosante frontal (AFF) e a alopecia de tração, comum entre pessoas negras devido à pressão exercida por determinados penteados.
Diagnóstico precoce e avanços terapêuticos
Taylor destacou que a identificação precoce dos sintomas, como queda localizada, afinamento dos fios e inflamações no couro cabeludo, é fundamental para o sucesso do tratamento. Ela ressaltou a existência de diversas opções terapêuticas, que variam de medicamentos tópicos a transplantes capilares e procedimentos de regeneração com PRP (plasma rico em plaquetas).
Entre as principais abordagens apresentadas, incluem-se o uso de bioestimuladores, o microagulhamento associado a fatores de crescimento e o desenvolvimento de técnicas de transplante menos invasivas, como a FUE (Follicular Unit Extraction), que permite a extração individualizada dos folículos sem necessidade de raspar o couro cabeludo.
A relação entre Covid-19 e alopecia
O médico Leonardo Bianchini trouxe à discussão a relação entre infecções por Covid-19 e o desenvolvimento de alopecia. Segundo ele, o vírus pode causar inflamação no folículo piloso, levando à queda capilar em diferentes graus, incluindo casos de alopecia areata e alopecias cicatriciais.
Inclusão e diversidade na dermatologia
O evento, que reuniu mais de 4 mil participantes no Centro de Convenções Salvador (CCS), priorizou o debate sobre pele étnica. A programação abordou a necessidade de práticas dermatológicas que considerem a diversidade racial brasileira, sobretudo em um estado como a Bahia.
Susan Taylor destacou a importância de ampliar a pesquisa e o diagnóstico voltados para a pele de pessoas negras e pediu maior atenção dos profissionais para essas especificidades. “O local do congresso reforça a relevância da temática. A diversidade da população brasileira demanda um olhar mais cuidadoso da dermatologia“, afirmou.
Paulo Barbosa concluiu que o avanço científico deve ser acompanhado de uma compreensão mais ampla sobre o impacto cultural e social da saúde capilar. “Cabelo é pertencimento, é força cultural, é autoestima”, pontuou.



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