A Biblioterapia, prática que utiliza a leitura como instrumento de promoção da saúde mental e do bem-estar, vem ganhando destaque a partir do curso criado pela pesquisadora Carla Sousa, com base em sua trajetória acadêmica orientada pela professora Clarice Fortkamp Caldin, referência no campo. A formação, oferecida desde 2020, é reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e reúne interessados de diversos estados brasileiros e países como Portugal, consolidando uma rede voltada à difusão da prática.
Curso reúne comunidade internacional e promove formação certificada
O curso desenvolvido por Carla Sousa compreende dois níveis: Biblioterapia Primeiros Passos e a Formação Avançada de Mediadores de Biblioterapia, com carga horária de 150 horas. O programa foi estruturado com base em fundamentos teóricos e vivências práticas, visando preparar profissionais para atuarem como facilitadores de experiências literárias com enfoque terapêutico. A formação avançada é a única no Brasil com reconhecimento oficial e inclui laboratórios interativos, sessões em grupo e acompanhamento ao vivo.
A proposta central da iniciativa é capacitar pessoas para aplicarem a leitura como ferramenta de escuta, acolhimento e reflexão, com impacto direto sobre diferentes públicos. Segundo Carla Sousa, “é possível construir uma rede de pessoas conscientes do poder terapêutico da literatura que possam usar esse recurso para promover uma sociedade mais saudável”. Para ela, o crescimento da demanda por práticas voltadas ao cuidado emocional torna a Biblioterapia uma alternativa eficaz, acessível e alinhada aos desafios contemporâneos da saúde mental.
Alunas relatam impacto pessoal e profissional após contato com a prática
A administradora e escritora Andréa Castro de Melo, de 46 anos, residente em Sorocaba, conheceu o curso durante a pandemia. Atualmente, se identifica como empreendedora da Biblioterapia, atuando em atividades com diferentes públicos. “A primeira transformação foi em mim mesma. Passei a olhar o mundo com mais empatia”, afirma. Em uma de suas experiências, uma participante relatou que nunca antes havia sido acolhida por meio de uma leitura, evidenciando o alcance emocional das vivências.
A paulista Maria Adalgiza Pinto, de 62 anos, encontrou na Biblioterapia um novo sentido após a aposentadoria. Com histórico de atuação como gestora de biblioteca pública, ela passou a se dedicar à formação e aplicação da prática com grupos diversos. “É um momento de descobertas. As pessoas se conectam com os textos e trazem memórias profundas”, relata. Para Adalgiza, os encontros literários contribuem para ressignificar o processo de envelhecimento e fortalecer o vínculo com a coletividade.
Formação inclui aulas on-line e vivências em grupo com supervisão
A estrutura do curso contempla aulas gravadas, encontros em tempo real e experiências práticas supervisionadas. O modelo foi planejado para atender a profissionais de diferentes áreas, como educação, saúde, biblioteconomia, psicologia e assistência social. As inscrições podem ser realizadas pelo site oficial ou pelo link disponível na bio do perfil no Instagram @dosesdebiblioterapia. A coordenação reforça a importância do autoconhecimento como etapa fundamental da formação: “Primeiro é preciso se nutrir com a Biblioterapia para depois transbordar para os outros”, afirma Carla Sousa.
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