Feira Artesanato da Bahia – Edição Indígena reúne 30 artesãos e segue até domingo em Salvador

A Feira Artesanato da Bahia – Edição Indígena segue até domingo (27/04/2025), na área externa do Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, em Salvador. A iniciativa reúne 30 artesãs e artesãos de 13 povos indígenas, promovendo a valorização de práticas tradicionais e o fortalecimento da economia criativa por meio da comercialização de peças produzidas com técnicas e materiais nativos.

O evento integra o Abril do Artesanato Indígena, promovido pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). A ação proporciona aos visitantes a oportunidade de dialogar diretamente com os criadores das obras, adquirindo peças que carregam saberes ancestrais.

Representatividade dos povos indígenas no artesanato

A feira reúne representantes dos povos Tupinambá, Tumbalalá, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Kariri-Xocó, Xuku-Kariri, Kiriri, Pataxó, Tuxá, Xukurú, Funiô, Kaimbé, Tapuya e Tuxi, fortalecendo a visibilidade das culturas indígenas. Entre os produtos expostos estão adornos corporais confeccionados com sementes, maracás, colares, cerâmicas tingidas com pigmento de tauá, esculturas em madeira, trançados em fibras naturais e instrumentos musicais.

A artesã Cicilha Pataxó, estudante de medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA), afirma que cada peça que produz carrega a memória e a história de seu povo e território. “O artesanato é também o que me ajuda a continuar na universidade e a viver em Salvador, uma cidade difícil para quem vem da aldeia”, declara.

Apoio institucional e fortalecimento das identidades indígenas

O titular da Setre, Augusto Vasconcelos, destaca que a realização da feira reafirma o compromisso do governo estadual com a valorização dos povos originários. Segundo ele, “o apoio ao artesanato indígena é uma forma concreta de gerar renda, fortalecer identidades e preservar saberes que são patrimônio imaterial do nosso estado“.

A secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais, Ângela Guimarães, reforça o significado político e simbólico do evento. Para ela, “celebrar a arte indígena é reconhecer a resistência dos povos originários, garantindo a continuidade de práticas ancestrais que se mantêm vivas através da produção artística“.

Espaço para trocas culturais e fortalecimento da autonomia

Além da comercialização das peças, a feira propicia um espaço de trocas culturais entre artesãos e visitantes, permitindo que as histórias e processos de criação sejam compartilhados diretamente. Para o artesão Nininha Kiriri, que trabalha com esculturas de argila aprendidas na infância, espaços como esse são fundamentais. “É importante mostrar nosso trabalho sem intermediários, contando nós mesmos o que está por trás de cada peça“, afirma.

O evento representa, assim, uma oportunidade para o público conhecer práticas artísticas tradicionais, entender a importância do artesanato como meio de resistência cultural e econômica, e apoiar a produção indígena contemporânea.


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