Na segunda-feira (21/04/2025), o falecimento do Papa Francisco aos 88 anos mobilizou reações de chefes de Estado, líderes religiosos e representantes internacionais. No âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), o pontífice foi reconhecido como uma das vozes mais influentes nas discussões globais sobre justiça social, mudança climática e promoção da paz. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a morte do papa e destacou sua atuação como um “mensageiro de esperança e humanidade”.
Durante seu papado, iniciado em 2013, Jorge Mario Bergoglio manteve estreita relação com as agências da ONU e compareceu a eventos oficiais em Roma e em Nova Iorque. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2015, Francisco abordou a desigualdade social, a erradicação da pobreza e a urgência climática. Ele classificou a crise ambiental como um problema moral e reforçou que os mais afetados eram os que menos contribuíram para sua causa.
Contribuições ao multilateralismo e à sustentabilidade
O Papa Francisco também participou ativamente do debate ambiental ao publicar, em 2015, a encíclica “Laudato Si’”, na qual abordou os impactos da atividade humana sobre o planeta. O documento influenciou a construção do Acordo de Paris sobre o Clima, assinado no mesmo ano. Segundo Guterres, a liderança do papa foi determinante para mobilizar governos e sociedade civil em torno da proteção ambiental.
Nos anos seguintes, o pontífice manteve-se engajado em causas humanitárias, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Em 2020, ele se dirigiu à Assembleia Geral da ONU por videoconferência, afirmando que a crise sanitária deveria ser vista como uma oportunidade de transformação social. Em suas palavras, tratava-se de “um momento para distinguir o que é necessário do que não é”, incentivando a solidariedade internacional.
Trajetória e valores pessoais
Primeiro papa da América Latina e primeiro jesuíta a assumir o cargo, Bergoglio foi ordenado sacerdote em 1969. Antes disso, havia se formado como técnico químico, estudado filosofia e teologia e atuado como professor e reitor de seminário. Foi nomeado cardeal em 2001 por João Paulo II. No conclave de 2013, sucedeu Bento XVI, tornando-se o 266º papa da Igreja Católica.
Como cardeal e depois como pontífice, adotou uma postura de proximidade com populações marginalizadas. Conhecido por utilizar meios de transporte simples e por evitar protocolos cerimoniais, visitava comunidades periféricas e evitava a centralização de sua figura. O lema pessoal, “Eu sou um desses pobres”, foi reiterado ao longo de seu ministério.
Encontros com líderes da ONU e apoio a iniciativas globais
O Papa Francisco manteve relação próxima com diversos líderes da ONU. Recebeu em audiência o secretário-geral António Guterres, em 2019, em uma visita oficial ao Vaticano. Durante o encontro, Guterres destacou a convergência entre os princípios cristãos e os valores das Nações Unidas, como a paz, a justiça e a solidariedade.
Também se reuniu com a presidente da Assembleia Geral da ONU em 2018, María Fernanda Espinosa, a quem desejou êxito em sua missão e encorajou a lutar “lindamente” por um mundo mais justo. A última audiência papal registrada com um presidente da Assembleia foi com Dennis Francis, em julho de 2024, quando o tema central foi a elevação do nível do mar e os impactos da crise climática sobre populações vulneráveis.
Posicionamentos sobre migração, fome e desigualdade
O pontífice manifestou-se diversas vezes sobre temas críticos da agenda internacional. Em pronunciamento na sede da FAO, em Roma, em 2017, afirmou que a fome e os deslocamentos forçados estavam interligados, sendo necessário combater as causas estruturais dos conflitos. No Programa Mundial de Alimentos (WFP), pediu aos profissionais que não desanimassem diante da complexidade dos desafios humanitários.
A defesa de uma abordagem não superficial sobre a migração foi reiterada em diferentes ocasiões. Para Francisco, o problema exige enfrentamento das causas profundas, como pobreza, violência e degradação ambiental. Em todos os fóruns, manteve a crítica a práticas que geravam exclusão social e aprofundavam desigualdades.
Relação com países lusófonos e proximidade com o público
Em viagens oficiais, o Papa Francisco visitou países de língua portuguesa, como Brasil, Moçambique, Portugal e Timor-Leste. Demonstrava familiaridade com a cultura e mantinha comunicação acessível. Em discurso na Praça São Pedro, ao ser abordado por um brasileiro que pediu orações para seu país, respondeu de forma descontraída: “Vocês brasileiros não têm salvação”, provocando risos entre os presentes.
Essa capacidade de dialogar com diferentes públicos, combinada com a firmeza em temas centrais, caracterizou sua atuação diplomática. Mesmo evitando holofotes, tornou-se referência global em assuntos sociais, éticos e espirituais.
* Com informações Nações Unidas.
Share this:
- Print (Opens in new window) Print
- Email a link to a friend (Opens in new window) Email
- Share on X (Opens in new window) X
- Share on Facebook (Opens in new window) Facebook
- Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn
- Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp
- Share on Telegram (Opens in new window) Telegram


Deixe um comentário