Na manhã de segunda-feira (21/04/2025), o Vaticano anunciou a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, em Roma. Um mês após deixar o Hospital Gemelli, onde tratava uma pneumonia infecciosa, Jorge Mario Bergoglio, o 266º papa da Igreja Católica, faleceu às 7h35 (horário local), encerrando um pontificado iniciado em 13 de março de 2013. Sua última aparição pública ocorreu no domingo de Páscoa (20/04), na Praça de São Pedro, em estado visivelmente debilitado.
Últimos dias e cerimônia fúnebre
Conforme determina o protocolo do Vaticano, o funeral deverá ocorrer em até nove dias após a morte, seguido pela organização do conclave, cujo início deve se dar entre 15 e 20 dias. O cardeal camerlengo Kevin Farrell assumirá as funções administrativas da Santa Sé até a eleição de um novo pontífice.
Francisco havia solicitado, desde 2023, ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maggiore, rompendo com a tradição de enterro na cripta da Basílica de São Pedro. Os funerais seguirão um ritual simplificado, adotado por ele próprio, com uso de caixões simples de madeira e zinco, em substituição aos tradicionais três caixões de diferentes materiais.
Pontificado de reformas e enfrentamentos
Transformações internas e perfil pastoral
O papa Francisco promoveu profundas reformas na Cúria Romana, buscando modernizar estruturas administrativas e aumentar a transparência nas finanças do Vaticano. Incentivou maior protagonismo de leigos e mulheres nas decisões e denunciou abertamente a pedocriminalidade dentro da Igreja, abolindo o segredo pontifício em casos de abuso.
Críticas e controvérsias internas
Apesar dessas medidas, associações de vítimas de abuso sexual consideraram as ações insuficientes. Setores conservadores criticaram duramente sua condução pastoral, especialmente após autorizar, em 2023, bênçãos a casais do mesmo sexo e restringir missas em latim, o que acirrou tensões com alas tradicionalistas do clero.
Atuação internacional e foco nos marginalizados
Compromissos sociais e diplomáticos
Francisco destacou-se pela ênfase nas “periferias existenciais” do mundo. Defensor da justiça social, combateu o tráfico humano, denunciou tragédias migratórias, criticou o comércio de armas e adotou posição diplomática ativa, ainda que ineficaz, diante de conflitos como a guerra na Ucrânia e a crise no Oriente Médio.
Encíclicas e posicionamentos doutrinários
Suas principais encíclicas, como a “Laudato si” (2015), criticaram a exploração econômica e o colapso ambiental. Apesar disso, manteve a doutrina católica tradicional sobre aborto e celibato clerical, evitando alterações dogmáticas mais profundas.
Perfil pessoal e legado
Nascido em Buenos Aires, em 1936, Francisco enfrentou problemas respiratórios desde jovem. Fã de música e futebol, era reconhecido por seu estilo de vida austero, rejeitando o uso do palácio apostólico e preferindo um apartamento modesto.
Mesmo com saúde debilitada nos últimos anos, manteve intensa agenda de trabalho, incluindo viagens internacionais até 2024, como a jornada ao Sudeste Asiático e Oceania. Seu carisma popular e abordagens pastorais deixaram marcas profundas em comunidades excluídas e minorias religiosas.
Sucessão e desafios para o próximo papa
Quase 80% dos cardeais eleitores foram nomeados por Francisco, o que tende a influenciar o perfil do sucessor. A escolha do novo pontífice, contudo, ocorrerá sob intensa disputa entre correntes progressistas e conservadoras, refletindo a divisão interna da Igreja quanto ao legado do papa argentino.


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