O artigo “Ressuscitou como disse… Aleluia! A vida venceu a morte!”, de autoria do Padre Cesar Augusto, SJ, foi publicado neste Domingo da Páscoa (20/04/2025), e oferece uma reflexão teológica sobre a Ressurreição de Jesus Cristo, conforme descrita no Evangelho segundo São João. O sacerdote propõe uma leitura simbólica da narrativa evangélica, destacando o sentido espiritual e transformador do acontecimento.
A nova criação no primeiro dia da semana
Segundo o autor, o evangelista João inicia o relato da ressurreição com a observação de que era “o primeiro dia da semana” e que ainda estava escuro quando Maria Madalena foi ao sepulcro. Para o padre, essa ênfase temporal “faz alusão à nova criação”, indicando que a ressurreição inaugura uma nova realidade ontológica — não apenas um retorno à vida, como no caso de Lázaro, mas uma vida transformada, definitiva e imortal.
“João vai relatar a autêntica ressurreição, a vitória de Jesus sobre as limitações humanas, sobre suas fragilidades, sobre a morte.”
O autor destaca que Jesus ressuscitado não voltará a morrer. Trata-se, portanto, de um rompimento radical com a condição humana anterior.
A escuridão interior de Maria Madalena
Na sequência do texto, o padre enfatiza o simbolismo da “escuridão” em que se encontra Maria Madalena. Ainda que tenha ouvido do próprio Jesus a promessa da ressurreição, a dor provocada pela morte impede-a de recordar tal promessa. Sua ida ao sepulcro é motivada pelo amor e pela saudade, mas também por um estado interior de desorientação e luto.
“Ela está com uma vida sem sentido, sem alegria. Seu grande libertador, seu grande amigo está morto.”
Mesmo diante de sinais sobrenaturais — como os dois anjos presentes no túmulo vazio, reminiscência da Arca da Aliança — Maria não reconhece imediatamente a ressurreição. Apenas quando Jesus pronuncia seu nome é que ela muda seu foco e passa a enxergar a realidade da Vida.
A nova aliança e o reconhecimento do Ressuscitado
A presença dos anjos no sepulcro remete, segundo o autor, aos anjos colocados sobre a Arca da Aliança no Antigo Testamento. Com isso, o evangelista João estaria reforçando que Jesus é a nova aliança, e que sua vitória sobre a morte representa a eternidade dessa aliança com Deus.
“Jesus é a nova aliança. Por isso a aliança de Jesus Cristo é eterna, pois ele ressuscitou.”
A percepção da ressurreição só se concretiza para Maria quando ela abandona o olhar fixado na morte e volta-se para Jesus. Essa mudança de direção — física e espiritual — simboliza o chamado que o cristão é convidado a seguir.
Conversão interior como condição para enxergar a Vida
A reflexão de Padre Cesar Augusto conclui com uma aplicação contemporânea do ensinamento: a ressurreição de Cristo só se torna visível para aqueles que optam pela vida, pelo amor, pela partilha e pela fraternidade. Enquanto os corações estiverem voltados para sentimentos destrutivos como egoísmo, ambição e ira, os sinais da Vida permanecerão ocultos.
“Quando acreditarmos no poder de Deus e formos mais irmãos, adeptos da partilha e do serviço, perceberemos os sinais da Vida a todo momento.”
A mensagem se encerra com um desejo de Feliz Páscoa, reafirmando o convite à renovação espiritual proposto pela narrativa da ressurreição.


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