Sexta-feira, 18/04/2025 – A tradicional Via-Sacra no Coliseu de Roma reuniu aproximadamente 20 mil fiéis em uma celebração marcada por espiritualidade e simbologia. Sob a condução do cardeal Baldo Reina, representante do Papa Francisco, o rito da Sexta-feira Santa percorreu as 14 estações da Paixão de Cristo, com meditações escritas pelo Pontífice. A cruz foi alternadamente conduzida por religiosos, jovens, famílias, migrantes, deficientes, profissionais da saúde e outros representantes sociais.
O significado histórico e litúrgico da Via-Sacra no Coliseu
A Via-Sacra, realizada desde o século XVIII no Coliseu, remonta ao período em que o local foi consagrado por Papa Bento XIV como memorial da Paixão de Cristo e dos primeiros mártires cristãos. A celebração remete à trajetória de Jesus até o Calvário, inserida simbolicamente no espaço romano onde cristãos foram perseguidos durante o Império Romano.
Meditações do Papa Francisco: apelo à conversão em tempos de crise
O Papa Francisco, mesmo sem presença física no local, escreveu as reflexões da celebração. Com um tom direto, ele associou o caminho da cruz aos desafios contemporâneos, como a indiferença, os conflitos, a desigualdade e o culto ao cálculo e à eficiência. Segundo o Papa, a “economia de Deus” não descarta, mas regenera, acolhe e transforma.
A cruz foi conduzida por grupos que representam realidades específicas:
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Jovens (II estação) — chamados a superar o egoísmo.
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Cáritas (III estação) — lembrando que Deus não descarta os pequenos.
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Família (IV estação) — símbolo da escuta e vivência da Palavra.
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Voluntários (V estação) — representação do auxílio ao sofrimento alheio.
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Religiosos (VI estação) — evocando o rosto de Cristo.
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Educadores (VII estação) — destaque ao papel formativo e de reerguimento.
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Viúvas consagradas (VIII estação) — expressão das lágrimas sinceras.
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Confessores (IX estação) — relação entre amor, perdão e reconciliação.
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Pessoas com deficiência (X estação) — presença de Cristo nas fragilidades.
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Voluntários do Jubileu (XI estação) — memória do perdão e renovação.
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Migrantes (XII estação) — crítica ao distanciamento diante da dor alheia.
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Profissionais da saúde (XIII estação) — símbolo do cuidado e da ternura.
Reflexões sobre a Igreja, o mundo atual e a fraternidade cristã
Ao longo das estações, Francisco denunciou o individualismo, o uso impessoal da tecnologia, a rigidez institucional e as decisões injustas. O Papa defendeu a necessidade de conversão pessoal e comunitária, afirmando que a cruz deve levar à reconstrução da fraternidade e da unidade eclesial.
Na décima estação, referindo-se ao despojamento de Jesus, Francisco sugeriu que a Igreja, como “veste rasgada”, precisa ser reconstruída espiritualmente por meio do amor, da paz e da comunhão. Nas estações finais, reforçou o chamado à ação: alimentar os famintos, acolher os excluídos, visitar os enfermos e presos, e exercer a misericórdia.
Oração conclusiva e apelo à conversão
A cerimônia foi concluída com a oração de São Francisco de Assis, composta por um apelo ao discernimento, humildade e fidelidade à vontade divina. O texto final pediu a Deus a graça da conversão, da sabedoria e da caridade, com ênfase no reconhecimento da humanidade como “barro nas mãos do Criador”.
Autoridades presentes e cobertura internacional
A cerimônia contou com a presença do prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, e foi transmitida mundialmente por veículos de comunicação católicos e internacionais. A mensagem do Papa foi repercutida em diversas regiões, reforçando o apelo à reconciliação e à paz global, em meio às tensões geopolíticas e às crises sociais do presente.


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