A Cooperativa dos Cirurgiões Oncológicos da Bahia (CooperOnco) tem ampliado sua influência além do território baiano e se consolidado como referência no setor de saúde suplementar. Criada em julho de 2015, a entidade adota um modelo cooperativista médico que promove integração entre especialidades cirúrgicas e assegura valorização profissional, estimulando a formação de novas cooperativas em estados do Norte e Nordeste, como Amazonas, Pernambuco, Maranhão e Rio Grande do Norte.
Modelo interdisciplinar e foco na autonomia médica
A atuação da CooperOnco se destaca pela integração qualificada entre cirurgiões oncológicos e outras especialidades médicas envolvidas no tratamento do câncer, como mastologia, urologia, coloproctologia, cirurgia torácica, cirurgia de cabeça e pescoço e cirurgia geral. Essa articulação permite decisões clínicas mais consistentes, com impactos positivos no prognóstico dos pacientes e na construção de vínculos médicos mais sólidos.
Segundo o presidente da cooperativa, Fábio Neves, o modelo adotado oferece uma alternativa estruturada aos profissionais diante das dificuldades nas negociações com operadoras de saúde. “Nossa missão é valorizar o trabalho médico com responsabilidade, transparência e foco no paciente”, afirmou.
Estrutura negocial e sustentabilidade financeira
A CooperOnco mantém contratos firmados com mais de dez operadoras de saúde, incluindo SulAmérica, Golden Cross, Cassi, GEAP, Postal Saúde e CNU. Essas parcerias demonstram a capacidade da entidade de representar os interesses dos seus cooperados com eficiência, assegurando condições de trabalho estáveis e remuneração compatível com a complexidade da atividade médica.
De acordo com relatório enviado pela cooperativa ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), mais de 90% do faturamento da entidade é revertido para a remuneração direta dos serviços médicos. O dado reforça o compromisso da instituição com a sustentabilidade econômica da prática médica e a justa distribuição de recursos entre seus cooperados.
Atuação legal e respeito à autonomia profissional
A CooperOnco se estrutura conforme os princípios do cooperativismo médico, atuando sem impor exclusividade aos profissionais e respeitando a livre negociação individual. Suas tabelas de honorários têm caráter meramente orientativo, sendo resultado de processos deliberativos internos baseados em transparência e participação coletiva.
Para o diretor da cooperativa, André Bouzas, a legalidade da atuação e o respeito à autonomia profissional são fundamentais para o fortalecimento da categoria. “O modelo da CooperOnco mostra que é possível conjugar excelência técnica, representatividade e ética institucional em um mesmo formato de organização médica”, disse.
Expansão regional e impacto no setor
A experiência baiana tem servido de referência para médicos de outras regiões do país interessados em constituir estruturas cooperativadas semelhantes. Estados do Norte e Nordeste têm demonstrado interesse crescente na replicação do modelo, o que aponta para uma possível reorganização regional da oferta de serviços oncológicos, com foco na valorização da prática médica especializada e na qualidade do cuidado ao paciente.
A CooperOnco representa, assim, um exemplo concreto de inovação na gestão médica, ao combinar representação coletiva legítima, capacidade técnica negociadora e compromisso com a assistência oncológica integrada.


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