O futebol baiano amanheceu de luto nesta quarta-feira (02/04/2025) com o falecimento do ex-jogador Leandro Domingues, aos 41 anos. Ex-meia do Esporte Clube Vitória, ele lutava desde 2022 contra um câncer de testículo, passando por diversas etapas de tratamento, incluindo um transplante. Sua morte reforça a necessidade de atenção a essa neoplasia, que, embora rara, é o tumor mais comum entre homens jovens.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para 2025, o Brasil deve registrar aproximadamente 1.700 novos casos de câncer de testículo ao longo do ano. A doença representa cerca de 1% dos tumores malignos masculinos, mas lidera entre homens com idade entre 15 e 35 anos.
“O câncer de testículo costuma evoluir de forma silenciosa e, muitas vezes, só é diagnosticado em fases avançadas. Sinais como aumento do volume testicular ou dor local devem ser investigados”, alerta o urologista Nilo Jorge Leão, coordenador do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).
Diagnosticado em 2022, Leandro Domingues iniciou tratamento oncológico convencional, mas a doença evoluiu, exigindo abordagens mais complexas. “Casos como esse demonstram a importância do diagnóstico precoce para melhorar o prognóstico da doença”, explica Leão.
Os principais fatores de risco incluem histórico familiar, criptorquidia (testículo que não desceu corretamente para o escroto na infância) e infecções testiculares prévias. “O autoexame testicular é um aliado importante, mas não substitui o acompanhamento regular com um urologista”, ressalta o especialista, que também coordena os serviços de Urologia dos Hospitais Mater Dei Salvador e Municipal.
O tratamento depende do estágio da doença. Em fases iniciais, a orquiectomia (remoção do testículo afetado) pode ser curativa. Em estágios avançados, pode haver necessidade de quimioterapia, radioterapia ou transplante de medula óssea. A cirurgia robótica surge como opção minimamente invasiva em casos mais complexos.
“A cirurgia robótica proporciona maior precisão, menor sangramento e recuperação mais rápida. Em procedimentos como as linfadenectomias retroperitoneais, ela é especialmente vantajosa”, explica Leão, que também lidera o Núcleo de Uro-Oncologia das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID).
Apesar da gravidade da doença, o câncer de testículo tem altas taxas de cura, superiores a 95% quando diagnosticado precocemente. Por isso, campanhas de conscientização e educação em saúde são fundamentais.
Enquanto o futebol se despede de um talento marcante, a situação reforça a necessidade de priorizar o cuidado com a saúde masculina e incentivar o diagnóstico precoce.


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