O Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA) inaugurou a exposição “Okòtò: Espiral da Evolução”, primeira mostra individual da artista e designer Goya Lopes, que apresenta um conjunto de obras que abrangem diferentes fases de sua carreira. A exposição reúne pinturas, gravuras, tecidos, peças de vestuário e figurinos artísticos, compondo um panorama da atuação de Goya nas artes visuais e no design têxtil ao longo de mais de cinco décadas.
Trajetória artística e conceito curatorial
A exposição é conduzida pelo conceito de “Okòtò”, termo de origem iorubá que remete ao movimento espiralado da evolução. A ideia é articular passado, presente e futuro a partir de uma narrativa visual que reflete tanto a formação acadêmica da artista na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) quanto sua experiência internacional e inserção no cenário da arte e do design no Brasil.
O público poderá conhecer obras produzidas durante o período em que Goya residiu na Itália, além de exemplares de seu acervo pessoal, que documentam sua atuação no campo da estamparia, arte têxtil e figurinos. A exposição também apresenta mais de 50 catálogos de retalhos, material que integra a pesquisa visual da artista.
Arte urbana e presença nos espaços públicos
Além das obras expostas nas salas do MAM, a mostra destaca a influência de Goya Lopes em espaços urbanos, com registros de intervenções visuais em fachadas, mobiliários e ambientes públicos. As imagens expõem o modo como sua produção visual se integra ao cotidiano, estabelecendo diálogos com diferentes públicos e contextos.
Essa abordagem amplia a compreensão da artista não apenas como produtora de obras para galerias, mas como agente ativa na construção de identidades visuais no espaço urbano. A presença de suas criações em vestuário, objetos e arquitetura ilustra o alcance de sua atuação em múltiplas linguagens.
Acervo, abertura e papel institucional do MAM
A abertura da exposição, realizada nesta quarta-feira, contou com a presença da artista, que participou de uma visita guiada e interagiu com o público. O evento marcou o início do período de visitação e reforçou o papel do MAM como espaço de difusão da produção artística contemporânea da Bahia.
O Museu de Arte Moderna da Bahia é administrado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). A instituição possui um acervo com mais de 1.000 obras de artistas dos séculos XX e XXI, além de contar com galeria ao ar livre e um espaço de cinema, fruto de parceria com o projeto @saladearte.
A mostra “Okòtò: Espiral da Evolução” se insere no conjunto de ações do museu voltadas à valorização de artistas que dialogam com temas como identidade afro-brasileira, memória coletiva e design contemporâneo. A curadoria estabelece conexões entre a produção artística de Goya e os processos históricos que envolvem a circulação de imagens e símbolos de matriz africana na cultura visual brasileira.


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