Todas as regiões glaciares do mundo registraram perda líquida de massa em 2024 pelo terceiro ano consecutivo, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta sexta-feira (21/03/2025). O estudo aponta que mais de 450 bilhões de toneladas de gelo foram perdidas no período, agravando os impactos da mudança climática e ameaçando o abastecimento de água de milhões de pessoas.
Declínio acelerado das geleiras
Atualmente, mais de 275.000 geleiras cobrem aproximadamente 700.000 km² em diversas partes do mundo, excluindo as calotas de gelo da Groenlândia e da Antártida. O relatório da OMM destaca que todas as 19 regiões glaciares monitoradas registraram perda de massa, consolidando uma tendência de degelo progressivo.
A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, afirmou que a preservação das geleiras é essencial não apenas sob aspectos ambientais e econômicos, mas também para a sobrevivência de comunidades inteiras. “Entre 2022 e 2024, assistimos à maior perda de geleiras já registrada em um período de três anos”, declarou.
Regiões mais afetadas e impactos
Os dados analisados pelo Serviço Mundial de Monitoramento de Geleiras (WGMS), com sede na Suíça, revelam que o Ártico canadense e as geleiras periféricas da Groenlândia sofreram perdas moderadas, enquanto a Escandinávia e o norte da Ásia registraram seus piores índices históricos.
Desde 1975, as geleiras perderam mais de 9 trilhões de toneladas de gelo, o equivalente a um bloco de gelo do tamanho da Alemanha com 25 metros de espessura, segundo Michael Zemp, diretor do WGMS. No ritmo atual, geleiras do Canadá, Estados Unidos, Escandinávia, Europa Central, Cáucaso, Nova Zelândia e regiões tropicais podem desaparecer até o final do século XXI.
Ameaça ao abastecimento de água
O degelo acelerado das geleiras impacta diretamente o abastecimento de água de centenas de milhões de pessoas que dependem dessas fontes para consumo e irrigação agrícola. A ONU reforça que reduzir as emissões de gases do efeito estufa é a única alternativa viável para conter o avanço das perdas.
O diretor da divisão de Hidrologia, Água e Criosfera da OMM, Stefan Uhlenbrook, alertou que os efeitos da mudança climática não podem ser ignorados. “Podemos negociar muitas coisas na ONU, mas não podemos negociar as leis físicas do degelo”, afirmou.
*Com informações da RFI.
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