Gravidez na adolescência impacta a economia e o desenvolvimento na América Latina e Caribe

A gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe representa um desafio significativo para a economia e o desenvolvimento social da região. De acordo com um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado neste mês, cerca de 1,6 milhão de meninas tornam-se mães anualmente, resultando em um custo de US$ 15,3 bilhões por ano para os 15 países analisados.

O estudo, intitulado “O Preço da Desigualdade: As Consequências Socioeconômicas da Gravidez em Adolescentes e Maternidade Precoce na América Latina e no Caribe”, destaca que o impacto financeiro equivale, em média, a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) dessas nações, chegando a triplicar em países como Suriname e Panamá. O UNFPA ressalta que a gravidez precoce compromete a trajetória educacional e profissional das adolescentes, afetando suas perspectivas econômicas e a geração de renda futura.

Impactos na educação e no mercado de trabalho

A pesquisa revela que adolescentes que se tornam mães têm menores chances de concluir a educação formal e ingressar no mercado de trabalho. O estudo aponta que jovens que são mães antes dos 20 anos têm três vezes menos probabilidade de obter um diploma universitário, em comparação com aquelas que se tornam mães mais tarde. Esse fator tem impacto direto na renda, já que mulheres que adiam a maternidade possuem chances de receber salários até três vezes maiores.

A diretora regional do UNFPA, Susana Sottoli, alerta que a maternidade precoce priva as adolescentes da oportunidade de construir uma carreira profissional, perpetuando ciclos de desigualdade e pobreza. “Muitas dessas jovens estariam na escola e construindo seu futuro, mas acabam inseridas em um ciclo de limitações econômicas e sociais”, afirma Sottoli.

Fatores associados à gravidez na adolescência

O estudo do UNFPA identifica que a gravidez precoce está fortemente associada a uniões infantis, violência sexual e barreiras ao acesso à educação e à saúde reprodutiva. Adolescentes pertencentes a grupos indígenas, afrodescendentes e de baixa renda apresentam maior probabilidade de gravidez na adolescência. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, reduzindo o ritmo de queda das taxas de fecundidade juvenil na região.

A América Latina e o Caribe registram a segunda maior taxa mundial de fecundidade na adolescência, ficando atrás apenas da África Subsaariana. Entre os principais fatores que contribuem para esse quadro estão a falta de acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva e a ausência de legislações efetivas para coibir casamentos infantis e uniões precoces.

Soluções e propostas para redução da taxa de gravidez precoce

O UNFPA recomenda que os governos da região adotem estratégias coordenadas para enfrentar o problema, incluindo:

  • Desenvolvimento de planos nacionais para redução da gravidez na adolescência, com participação de setores governamentais e da sociedade civil;
  • Ampliação do acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, incluindo métodos contraceptivos de longa duração;
  • Implementação de legislações para proibir casamentos infantis e uniões precoces;
  • Promoção da educação integral sobre sexualidade para adolescentes.

Segundo o UNFPA, um investimento de US$ 1,8 bilhão em programas de prevenção poderia reduzir a taxa de fecundidade em 36% até o próximo ano. A cada dólar investido em prevenção, o retorno estimado varia entre US$ 15 e US$ 40, dependendo do país.

* Com informações Nações Unidas.


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