A venda de áreas verdes na encosta do Morro Ipiranga, na Barra, tem gerado mobilização de moradores e entidades ambientais contra a iniciativa da Prefeitura de Salvador. Na noite de segunda-feira (24/02/2025), a vereadora Aladilce Souza (PCdoB), líder da bancada da oposição, participou de uma reunião com a promotora Hortênsia Pinho, do Ministério Público (MP), e representantes de associações locais para discutir estratégias de preservação do espaço.
Mobilização Contra a Venda das Áreas Verdes
A prefeitura incluiu dois terrenos da encosta do Morro Ipiranga em um leilão público, justificando que as áreas não possuem utilidade econômica e não geram arrecadação tributária. O argumento gerou reação entre os moradores da Barra, do Morro do Gato e da Roça da Sabina, que defendem a manutenção do espaço como reserva ambiental e paisagística.
Na reunião, estiveram presentes representantes do Instituto dos Arquitetos, Amabarra, SOS Buracão e Coletivo Stella Maris, além de moradores que anunciaram a intensificação dos protestos, incluindo manifestações durante o Carnaval.
Ministério Público e Audiência Pública
A promotora Hortênsia Pinho informou que o MP já possui laudos técnicos apontando que os terrenos são Áreas de Proteção Cultural e Paisagística e destacou a necessidade de maior transparência no processo de venda. Segundo ela, a prefeitura deve divulgar o processo administrativo da alienação de um dos terrenos incluídos no leilão.
Ficou definido que, após o Carnaval, o Ministério Público promoverá uma audiência pública para debater o tema e buscar um acordo com a Prefeitura para a suspensão da venda dos terrenos, considerando sua importância para a cidade.
Críticas à Prefeitura e Medidas Legislativas
A vereadora Aladilce Souza criticou a justificativa do prefeito Bruno Reis sobre a venda da área, argumentando que a gestão municipal considera apenas o retorno financeiro dos terrenos, ignorando sua relevância ambiental. Ela informou que já protocolou um ofício junto à Secretaria da Fazenda (Sefaz) solicitando acesso ao processo administrativo da venda.
“A encosta do Morro Ipiranga é a última reserva de Mata Atlântica da Barra e não pode ser substituída por construções. A população precisa se manifestar contra essa medida”, declarou a vereadora. Segundo ela, a campanha contra a venda das áreas verdes seguirá três frentes: jurídica, política e social.
Controvérsia Sobre Passarela Privativa
Outro tema abordado na reunião foi a permissão concedida pela Prefeitura ao camarote Glamour, localizado em frente à encosta do Morro Ipiranga, para instalar uma passarela exclusiva destinada ao acesso de frequentadores e artistas.
Moradores e entidades classificam a estrutura como uma barreira segregacionista e acionaram a Justiça para exigir sua remoção. A vereadora também solicitou esclarecimentos à Prefeitura, mas ainda não obteve resposta.
*Com informações informações da Câmara Municipal de Salvador.
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