A seleção brasileira de vôlei sentado conquistou a medalha de ouro em sua estreia nos Invictus Games, derrotando a equipe da Nigéria na final da competição, realizada em Vancouver, no Canadá. O evento, criado em 2014 pelo príncipe Harry, é voltado para militares com deficiência e conta com a participação de atletas de diversos países em 11 modalidades esportivas, incluindo seis de inverno e cinco de verão.
A delegação brasileira, composta por oito atletas, participou das competições de natação e vôlei sentado. Leandro Santos, um dos integrantes da equipe campeã, destacou a importância do evento para os participantes. “Nunca imaginei estar em um lugar tão bem organizado e acolhedor. Aqui, vemos a camaradagem, a superação e o renascimento de cada atleta”, afirmou. Segundo ele, muitos competidores enfrentaram desafios como depressão e sequelas de guerra, encontrando no esporte um caminho para a recuperação.
O triunfo brasileiro no vôlei sentado foi resultado de um trabalho intenso de preparação. “Participar dos Invictus Games é um sonho para nós, atletas do paradesporto militar. É uma oportunidade de demonstrar nossas habilidades e nossa capacidade de superação”, acrescentou Santos.
Marcelo de Azevedo, outro membro da equipe, compartilhou sua trajetória. Após um acidente nas Forças Armadas, que resultou na perda de uma perna, ele enfrentou um período de depressão até encontrar no esporte um novo propósito. “O que está acontecendo aqui em Vancouver é transformador. Esse evento é mais do que uma competição, é a realização de um sonho”, afirmou. Ele já havia competido no Mundial de vôlei sentado em 2014, onde conquistou a prata para o Brasil.
O impacto da participação brasileira nos Invictus Games vai além da competição. Alex Witkovski, sexto colocado nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, ressaltou a importância do evento para o fortalecimento do paradesporto militar. “Estamos fazendo história e inspirando novos militares a se engajarem no esporte. Nossa responsabilidade é grande, mas também gratificante”, comentou.
A seleção dos atletas para os Invictus Games seguiu critérios rigorosos, considerando habilidades esportivas e histórico de superação. Os treinos foram conduzidos por profissionais especializados para garantir o melhor desempenho da equipe. Luis Fernando Cavalli, diretor do Programa Militar Paralímpico do Comitê Paralímpico Brasileiro, destacou a relevância da participação nacional. “Esse evento abre novas oportunidades para militares com deficiência. Recebemos diversos contatos de interessados, o que mostra a expansão da modalidade no Brasil”, explicou.
O príncipe Harry, idealizador dos Invictus Games, compareceu ao evento e acompanhou algumas partidas, destacando o impacto da competição na reabilitação e inclusão dos veteranos. Inspirado no Warrior Games dos Estados Unidos, o evento busca promover a recuperação de militares por meio do esporte, reforçando valores como resiliência e apoio mútuo. Desde sua primeira edição, em Londres, os jogos já foram realizados em cidades como Orlando, Toronto e Sydney.
Com entusiasmo e determinação, a equipe brasileira já mira a próxima edição dos Invictus Games, programada para 2027, em Birmingham, na Inglaterra. “Se não nos convidarem, vamos invadir! O Brasil tem um espírito alegre e guerreiro, e queremos continuar fazendo parte dessa história”, brincou um dos atletas.
*Com informações da RFI.


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