Nos últimos anos, o bairro de Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, tornou-se um dos principais redutos culturais e turísticos da cidade, atraindo frequentadores para bares, restaurantes e eventos. O crescimento do movimento na região trouxe novos investimentos e aquecimento econômico ao comércio local. Entretanto, a possibilidade de inclusão do bairro no circuito oficial do Carnaval tem gerado preocupação entre os moradores, que questionam os impactos da medida e pedem mais participação no debate.
O vereador professor Hamilton Assis (PSOL) defende que a decisão deve ser tomada com base em consultas públicas e na participação efetiva dos moradores. “O caminho é o diálogo. É fundamental que a Prefeitura e o Governo do Estado conversem com os moradores antes de tomar as decisões. Aliás, não só conversem, como os ouçam”, afirmou.
No dia 23 de janeiro, a Associação de Moradores do Bairro do Santo Antônio Além do Carmo participou de uma reunião com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para discutir a questão. A proposta de incluir o bairro no circuito do Carnaval já havia sido debatida em 2023 em encontros entre a Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA), a Secretaria de Segurança Pública e o MP-BA. Na ocasião, os moradores se posicionaram contra a medida, argumentando sobre os impactos na mobilidade, na segurança e na qualidade de vida da população local.
Hamilton Assis também ressaltou que as discussões sobre a reestruturação urbana de Salvador, incluindo o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e a Lei de Ordenamento do Uso e da Ocupação do Solo (LOUOS), não tiveram as revisões amplamente divulgadas para debate com a população. O vereador cobrou maior transparência e acesso a informações sobre as ações do Grupo de Trabalho criado por decretos municipais em 2023 e 2024. “Até o momento, não houve resposta por parte da Prefeitura sobre a disponibilização dessas informações em canais oficiais”, declarou.
A discussão sobre a inclusão do Santo Antônio Além do Carmo no circuito oficial do Carnaval deve continuar nos próximos meses, com a expectativa de novas reuniões entre moradores, órgãos governamentais e representantes do setor cultural e turístico. A comunidade reivindica que qualquer decisão seja tomada de forma participativa, considerando os impactos sociais, econômicos e ambientais para a região.
*Com informaçōes da Câmara Municipal de Salvador.


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