Artistas e produtores culturais de Itapuã, em Salvador, reuniram-se na última segunda-feira (02/12/2024) na sede do bloco afro Malê Debalê para participar do Boca de Brasa Apresenta, evento que promoveu uma ampla celebração da produção artística do bairro. A iniciativa contou com apresentações de música, capoeira, poesia, artes cênicas e exposições de fotografia, destacando talentos formados nas oficinas do Polo Boca de Brasa, projeto que combina arte, cultura e profissionalização.
Oficinas e desenvolvimento artístico
O Malê Debalê, um dos Polos Boca de Brasa, atende cerca de 120 pessoas por meio de oficinas de sonorização, percussão, figurinos, adereços, dança e turismo. Essas atividades visam democratizar o acesso às artes, funcionando tanto como introdução ao universo cultural quanto como ferramenta de aperfeiçoamento técnico. Realizado pela Prefeitura de Salvador, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM) e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Semdec), o programa busca fortalecer a cultura local e promover autonomia econômica aos participantes.
Entre os talentos formados pelo programa está Marcela Santos, costureira e aluna do curso de figurinos e adereços. Marcela elaborou um projeto de aulas de corte e costura para mulheres de Itapuã, com foco no empreendedorismo, na sustentabilidade e no empoderamento feminino. A iniciativa, viabilizada por uma bolsa estímulo do Boca de Brasa, prevê o compartilhamento de técnicas sustentáveis, como o reaproveitamento de retalhos para criar bolsas e turbantes. “Essa é uma oportunidade de transformar conhecimentos em autonomia e oferecer novas perspectivas às mulheres da minha comunidade”, afirmou.
Transformações e impacto social
Outros participantes também destacaram o impacto do programa em suas trajetórias. O músico e técnico de som Felipe Souza relatou como os cursos contribuíram para sua formação e abriram novos horizontes profissionais. “Já havia feito outros cursos, mas esse foi um divisor de águas para minha carreira”, refletiu.
Janessa de Santa, multiartista e aluna do curso de dança afro, elogiou a qualidade da formação oferecida, destacando o contato com profissionais experientes. “Foi uma experiência que ampliou minha compreensão artística e ajudou no meu desenvolvimento profissional”, declarou.
Políticas culturais inclusivas
Para Chicco Assis, diretor de Patrimônio e Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos, o Boca de Brasa em Itapuã reforça a importância da descentralização das políticas culturais. “O programa não leva a cultura às periferias, mas viabiliza que a cultura local seja valorizada e respeitada. Ele é uma trincheira na defesa da arte como instrumento de existência, resistência e resiliência”, afirmou.
Já Felipe Dias, diretor da Salvador Tech, destacou o potencial econômico da iniciativa. “A cultura é parte da nossa identidade, mas também é um setor que precisa de fortalecimento econômico para que os artistas possam viver de sua arte. O Boca de Brasa é um exemplo de como a arte pode transformar vidas e promover o protagonismo social”, concluiu.


Deixe um comentário