A coprodução luso-afro-brasileira “Esse Caminho Longe” estreia no Museu de Arte da Bahia, em Salvador, trazendo uma narrativa que reflete sobre a migração forçada, a perda de identidade e a busca por um recomeço. Com direção compartilhada entre Márcio Meirelles e Graeme Pulleyn, o espetáculo ocorre na sexta-feira (29/11/2024) a domingo (08/12), sempre às 19h. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda no Sympla e na bilheteria do local.
Com um formato imersivo, o público é posicionado nos quatro lados de um palco que assume a forma de um cruzamento. Duas telas de vídeo exibem imagens de São Tomé e Príncipe e de Portugal, complementando a narrativa central que acompanha a história de uma mulher forçada a deixar sua terra natal ainda na infância. Ao longo da trama, são exploradas as consequências emocionais, culturais e identitárias desse afastamento. Três atrizes representam as vozes dessa história, conectando memórias individuais às experiências coletivas deixadas pela escravidão e pela colonização.
“A música ao vivo e os elementos visuais funcionam como vozes adicionais, criando uma experiência sensorial unificada”, destaca Márcio Meirelles. O diretor também reflete sobre a importância da participação de Olinda Beja, escritora e poeta são-tomense, que empresta sua perspectiva ao texto. “Ela não fala apenas sobre si, mas a partir de si, trazendo as complexidades de uma infância marcada pela separação de sua terra, sua cultura e sua família”, explica Meirelles.
A dramaturgia é assinada por Graeme Pulleyn, Lígia Soares e Márcio Meirelles, a partir de textos de Olinda Beja e Lígia Soares. A direção também conta com a colaboração de Cristina Castro na coreografia. A montagem utiliza recursos de vídeo e música como elementos narrativos centrais, ao mesmo tempo em que promove uma relação direta entre atrizes e público. A proposta leva à reflexão sobre a construção de novos futuros, reconhecendo os erros do passado.
A ideia para o espetáculo surgiu de um intercâmbio artístico entre Brasil, Portugal e países africanos de língua portuguesa, promovido pelo Teatro Vila Velha e parceiros como a Cena Lusófona e o Teatro Viriato. Desde 2013, Márcio Meirelles participa de montagens e projetos em Portugal e áreas da África, incluindo Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. O objetivo é construir pontes culturais e dar visibilidade a narrativas que abordem experiências históricas compartilhadas entre esses territórios.
Para mais informações sobre o espetáculo e a programação do Teatro Vila Velha, acesse o perfil oficial no Instagram (@teatrovilavelha) ou o site http://www.teatrovilavelha.com.br.


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