Sete cuidados essenciais para prevenir a perda auditiva

A perda auditiva é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 15 milhões de pessoas sofram de algum grau de comprometimento auditivo, e esse número chega a 1,5 bilhão globalmente, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Este problema é uma das principais causas de deficiência física no país, atingindo tanto adultos quanto crianças. Em alusão ao Dia Nacional de Combate à Surdez, celebrado no domingo (10/11/2024), a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) destacam cuidados essenciais para prevenir o agravamento da perda auditiva.

A perda auditiva pode ser causada por diversos fatores, muitos dos quais são evitáveis. A seguir, especialistas explicam as medidas preventivas mais eficazes:

Evitar exposição a ruídos intensos

A exposição a ruídos superiores a 85 decibéis pode danificar as células sensoriais da cóclea, estrutura do ouvido interno responsável pela percepção sonora. Sons altos de forma prolongada, como os provenientes de shows, obras, fones de ouvido em volume elevado e outros ambientes ruidosos, podem causar desde perda auditiva temporária até danos irreversíveis. “O uso contínuo de fones de ouvido em volumes elevados é um dos principais fatores de risco, especialmente entre os jovens”, afirma o presidente da SBO e membro da ABORL-CCF, Dr. Robinson Koji Tsuji. Os especialistas recomendam o uso de protetores auditivos em ambientes com níveis elevados de ruído e limitar o tempo de exposição a sons fortes.

Controle da pressão arterial, do colesterol e da diabetes
Doenças como hipertensão, diabetes e dislipidemia (colesterol alto) prejudicam a circulação sanguínea, incluindo a irrigação do ouvido interno, essencial para a audição. A má circulação sanguínea pode levar à degeneração do sistema auditivo. “Essas condições aumentam o risco de comprometimento auditivo, por isso é importante manter a pressão arterial, o colesterol e a glicemia sob controle”, explica Dr. Tsuji. A prática regular de atividades físicas e a adoção de uma alimentação equilibrada são fundamentais para o controle dessas doenças.

Evitar o tabagismo

O tabagismo é um fator de risco significativo para a perda auditiva. Fumantes estão mais propensos a alterações nos sistemas vascular e nervoso, afetando a cóclea, responsável pela conversão dos estímulos sonoros em impulsos elétricos que são enviados ao cérebro. “As toxinas presentes no cigarro afetam diretamente a circulação sanguínea no ouvido, aumentando o risco de perda auditiva”, esclarece o especialista.

Tratar infecções de ouvido

Infecções de ouvido, como as otites, se não tratadas adequadamente, podem causar danos permanentes ao sistema auditivo. Consultas regulares com otorrinolaringologistas são essenciais para a prevenção e tratamento dessas infecções, além de garantir o diagnóstico precoce de possíveis complicações.

Evitar substâncias ototóxicas

Certos medicamentos e produtos químicos podem ser ototóxicos, ou seja, prejudiciais ao ouvido interno. O uso prolongado de medicamentos como antibióticos aminoglicosídeos, quimioterápicos e alguns analgésicos pode levar à perda auditiva. “Sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer tratamento e informe sobre o risco de efeitos colaterais no sistema auditivo. Alternativas mais seguras devem ser discutidas”, recomenda Dr. Tsuji.

Triagem auditiva neonatal

A triagem auditiva neonatal é um exame essencial realizado nos primeiros dias de vida do bebê. Este teste permite identificar precocemente problemas auditivos, possibilitando a intervenção e tratamento desde os primeiros momentos de vida. Quanto mais cedo a perda auditiva é detectada, maior a chance de sucesso no tratamento.

Atenção ao desenvolvimento da fala e linguagem nas crianças

A perda auditiva em crianças pode muitas vezes passar despercebida, uma vez que as crianças pequenas não conseguem relatar dificuldades auditivas de forma clara. Observar o desenvolvimento da fala e a capacidade de comunicação é crucial. Atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldades na escolarização ou troca inadequada de fonemas podem ser sinais de problemas auditivos. “Quase 60% das causas de perda auditiva em crianças podem ser tratadas ou evitadas se o diagnóstico for feito de forma precoce”, conclui Dr. Tsuji.


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