Festival Salvador Capital Afro encerra programação destacando o protagonismo negro na economia criativa

O último dia do Festival Salvador Capital Afro (FSCA), realizado nesta sexta-feira (08/11/2024), destacou a diversidade e o impacto da economia criativa negra no cenário artístico e cultural. Com uma programação abrangente que incluiu oficinas, painéis e apresentações musicais e audiovisuais, o evento consolidou sua proposta de promover a troca de saberes e impulsionar talentos negros, além de reforçar a importância do protagonismo negro no fortalecimento de Salvador como um centro de inovação cultural.

Pela manhã, as atividades do festival focaram nas artes visuais e no turismo criativo, com oficinas e discussões sobre inovações no mercado cultural. Na Sala Nelson Maleiro, o artista visual Mulambö conduziu a oficina “Técnicas de Organização de Portfólio”, oferecendo orientações práticas sobre como apresentar trabalhos artísticos de forma eficaz. A oficina foi marcada por uma rica troca de experiências entre artistas das áreas de artes visuais, música e moda. “Foi uma troca muito interessante, pois cada um trouxe sua visão sobre como apresentar seu trabalho. Pude mostrar diversas possibilidades para diferentes tipos de conteúdo”, afirmou Mulambö. O workshop proporcionou aos participantes uma análise crítica e construtiva sobre suas produções, algo que foi destacado por Erick Dorea, integrante da banda Favela Atômica, que se beneficiou do feedback recebido durante o evento. “Foi uma oportunidade de revisar meu material e entender pontos de melhoria para minhas apresentações futuras”, comentou Dorea.

Simultaneamente, na Sala Harildo Deda, um talk sobre “Criação de produtos inovadores para o turismo a partir de linguagens artísticas” reuniu os especialistas Jimmy Filmeiro, Viviam Caroline e Emerson Dindo, mediado por Joice Santos. O painel abordou estratégias para unir o turismo criativo com as expressões culturais e artísticas, com foco na promoção da cultura afro-brasileira como um pilar para o desenvolvimento turístico sustentável.

A importância do festival para a cultura e a economia local

Walter Pinto, subsecretário de Cultura e Turismo e coordenador do Programa Salvador Capital Afro, destacou a relevância do evento para a cidade de Salvador. “O festival é uma celebração construída ao longo de um tempo, com a contribuição de diversos agentes sociais e culturais. É um momento simbólico que reforça o legado dos movimentos que ajudaram a construir a cidade que temos hoje”, afirmou Pinto, ressaltando o impacto positivo do festival no fortalecimento da cultura local.

À tarde, o FSCA promoveu um painel voltado para as mulheres negras no cenário artístico, com a participação de Nadia Taquary, Jess Vieira e Rebeca Carapiá. O painel, realizado no Espaço Cultural da Barroquinha, foi mediado por Cintia Guedes e se dedicou a discutir os desafios e as vitórias dessas artistas no mercado cultural. Na programação musical, o festival continuou a explorar a fusão de diferentes sonoridades, com uma imersão em música eletrônica afrodiaspórica comandada pelos DJs Anaïs B e Jordi Amorim, que conectaram as raízes afro-diaspóricas com as novas vertentes da música eletrônica. Paralelamente, Rayane Brum ofereceu uma masterclass sobre estratégias digitais de lançamento para artistas, abordando o mercado de distribuição digital como uma ferramenta importante para o crescimento da carreira artística.

Maylla Pita, diretora de Cultura de Salvador e coordenadora do festival, ressaltou a importância de trabalhar com as três linguagens principais do evento — artes visuais, música e audiovisual — como uma forma de ampliar o impacto do festival. “Conseguimos transversalizar o afroempreendedorismo e promover o que chamamos de ‘culturismo’, que é o turismo cultural, essencial para a economia de Salvador. Reconhecer o papel das pessoas que estão fazendo essa transformação e tornando Salvador um ponto de visibilidade no mundo é fundamental”, afirmou Pita.

Encerramento com celebração e diversidade musical

O festival foi encerrado com apresentações no Pátio Iyá Nassô, onde o público pôde assistir a showcases de diversos artistas, incluindo DJ Lunna Montty, Eloah Monteiro, DJ Gug, e a performance do bloco afro Malê Debalê. Estas apresentações simbolizaram a diversidade cultural de Salvador e reforçaram a contribuição da música negra para a cultura global.

Ao longo dos cinco dias de programação, o FSCA cumpriu seu papel de plataforma para a promoção da economia criativa negra, oferecendo aos participantes a oportunidade de expandir seus horizontes no mercado cultural e de reafirmar o protagonismo negro no cenário artístico local, nacional e internacional.


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