Natura musical promove roda de samba para celebrar o disco póstumo de Riachão, mestre do samba baiano

No próximo quinta-feira (14/11/2024), data que marcará os 103 anos de nascimento de Riachão, um dos maiores ícones do samba baiano, será realizada uma celebração em sua honra na Cantina da Lua, tradicional ponto de encontro no Pelourinho. O evento, promovido pelo projeto Natura Musical em parceria com o Governo da Bahia, terá início às 19h e será aberto ao público. Durante a celebração, os presentes poderão ouvir, em primeira mão, o álbum póstumo “Onde Eu Cheguei, Está Chegado”, que será lançado nas plataformas de streaming no Dia Nacional do Samba, na segunda-feira (02/12).

O disco é uma homenagem ao cantor e compositor Clementino Rodrigues, conhecido como Riachão, falecido em março de 2020 aos 98 anos. Embora o artista não tenha testemunhado o lançamento do trabalho, ele foi uma das forças motrizes por trás da produção da obra, cujas gravações foram iniciadas enquanto Riachão ainda estava vivo. O título do álbum, originalmente concebido como “Se Deus Quiser Eu Vou Chegar aos 100”, foi alterado após a morte do sambista, tornando-se um tributo ao seu legado musical.

“Onde Eu Cheguei, Está Chegado” conta com 10 faixas inéditas, com gravações de Riachão nunca antes divulgadas, além de parcerias com renomados artistas da música brasileira, como Roberto Mendes, Juliana Ribeiro, Enio Bernardes, Pedro Miranda e Nega Duda, além de uma participação especial de seu neto, Taian. O disco inclui ainda a presença de vozes de músicos convidados que interpretaram suas letras, tornando-o um marco na preservação de sua obra e de sua voz imortal.

A escolha da Cantina da Lua como local para a celebração do evento não é casual. O espaço foi um ponto de encontro frequente de Riachão e seu parceiro Clarindo Silva, e é um símbolo da cultura do samba e da boemia de Salvador. O sambista costumava se referir ao local como o “ponto de reunião de todos os malandros da Bahia” e o lugar onde a tradição do samba sempre esteve viva, especialmente no Centro Histórico da cidade. A roda de samba que acompanhará a audição do disco será uma homenagem à trajetória de Riachão, que desde sua infância, ainda em Itapuã, foi um entusiasta e perpetuador do samba de roda, do samba chula e das formas tradicionais de expressão musical.

Com mais de 500 composições registradas ao longo de sua carreira, Riachão deixou uma marca indelével no samba e na cultura baiana. Suas músicas foram interpretadas por grandes nomes da música brasileira, como Jackson do Pandeiro, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Beth Carvalho, Cássia Eller, entre outros. Conhecido por sua habilidade de compor sem recorrer ao papel, o sambista costumava afirmar que o samba estava em sua mente, sempre inspirado pelas situações do cotidiano e pela vivência do povo baiano.

O projeto de produção do disco póstumo, que demorou quatro anos para ser concluído, reflete o esforço de preservar e fortalecer o legado de Riachão. Segundo Joana Giron, da Giro Planejamento Cultural, responsável pelo projeto, o trabalho é resultado de um compromisso cultural com a Bahia e o Brasil. “Quando ele faleceu, estava muito animado com o projeto. O disco estava em processo de seleção de repertório, e tivemos que adaptar várias coisas após sua partida. Mas, quatro anos depois, estamos finalizando uma homenagem que esperamos estar à altura de Riachão”, afirmou.

O produtor musical Paulo Timor, que foi uma das pessoas mais próximas de Riachão na produção do disco, destacou a importância de incluir a voz do sambista no projeto. “Ele estará presente no disco, mesmo após sua morte. Conseguimos manter a voz imortal de Riachão, que é sempre o seu melhor intérprete”, comentou. A produção musical contou com a participação de músicos baianos e artistas de renome, que prestaram tributo ao mestre de forma reverente e criativa.

Além do lançamento do disco, o projeto inclui a criação de um site com um acervo digital completo sobre a vida e a obra de Riachão. O site contará com fotografias, reportagens, fonogramas e documentos audiovisuais que apresentarão sua trajetória ao longo de mais de seis décadas de carreira. Serão lançados também três minidocumentários dirigidos por Claudia Chávez, que acompanharão o processo de realização do disco e o legado de Riachão.

Em dezembro, o disco estará disponível nas plataformas de streaming, e o projeto busca dar continuidade ao trabalho de Riachão, um dos mais importantes sambistas da história da música brasileira. A homenagem conta com o apoio do edital Natura Musical, que já beneficiou diversos projetos musicais no estado da Bahia, como os de artistas como Luedji Luna e Margareth Menezes.


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